Bem-vindos a Havana

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Havana está parada no tempo…ou, na verdade, tempo e o passar dos anos não têm sido meigos com esta cidade, deixando marcas profundas. Dizem que o ar decrépito faz parte do seu charme…talvez mas a verdade é que os prédios arranjados, com a traça antiga recuperada e pintados de cores vivas dão-lhe outra alegria.

Sem dúvida que é seu lado histórico e decrépito, com centenas de edifícios coloniais conservados (conforme vai sendo possível), que fazem de Havana Património Mundial da UNESCO.

E no entanto Havana é muito mais do que isso…é uma cidade de contrastes, em que por momentos nos esquecemos das dificuldades em que o povo vive e nos deixamos embalar pela sua boa disposição, música e alegria de viver.

Já muito foi dito e publicado sobre a Havana mas existem alguns clássicos e incontornáveis por onde não podemos deixar de passar para nos embrenharmos na alma desta cidade e deste povo.

Os incontornáveis 

Começamos pelo Capitólio, inaugurado em 1929 foi sede do governo até 1959, pós Revolução Cubana. Quem já esteve em Washington é capaz de encontrar algumas (muitas) semelhanças com o Capitólio Americano apesar de a versão oficial referir que a sua inspiração é francesa. E logo em frente seguimos pelo Paseo del Prado (atual Paseo Martí) onde é possível encontrar elegantes cinemas antigos, mansões e hotéis recuperados de traça colonial.

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O Paseo del Prado vai “desaguar” na Plaza Central,  um dos principais pontos de encontro de Cuba. Tudo parece confluir para esta praça gloriosamente ornamentada com a Estátua do herói nacional José Martí.  É um dos melhores locais para apreciar os clássicos carros americanos dos anos 50, que correm por toda a cidade e que são uma das imagens de marca de Cuba. A Praça é ladeada pelo edifício do Teatro Nacional, uma das maiores Casas de Ópera do mundo, absolutamente deslumbrante.

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Por aqui seguimos para Havana Vieja. Ninguém consegue ficar indiferente à zona mais antiga e histórica da cidade. É a zona com maior concentração de edifícios coloniais. Por estes lados, a mistura é constante e confusa. Ora nos encontramos numa rua completamente recuperada, com edifícios quase pintados de fresco com cores alegres, como estamos na Havana real, com ruas apertadas, prédios a cair por falta de manutenção, ruas decrepitas e cubanos a falar com os vizinhos à janela. É o melhor local para nos deixarmos ir e seguirmos à deriva e sem destino.

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Não esquecer a emblemática Catedral San Cristobal, erigida em homenagem ao Padroeiro da cidade, a Basílica e Convento de São Francisco, o Castelo da Real Fuerza, a mais antiga fortaleza de Cuba datada de 1558, construída ainda pelos espanhóis, a Plaza de Armas e pela sua famosa Feira do Livro, o Palácio dos Capitães Generais (logo ao lado) e a Plaza Vieja.

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Outra hipótese é seguir os passos de Ernest Hemingway, passando pelo Hotel Ambos os Mundos, na Rua dos Mercaderes, onde ficava nas suas deslocações a Cuba, e passando pelos emblemáticos: beber um Daiquiri na La Floridita e um mojito na Bodeguita del Medio. Depois de umas horas por Havana ficamos a perceber melhor o fascínio do escritor por este país. Seguimos também os passos no nosso Eça de Queirós e paramos para beber um expresso na La Columnata Egipciana, o café onde o cônsul em Havana entre 1872 e 1874 costumava vir escrever.

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E para quem não resiste ao chamamento da música cubana recomendo ainda, junto à Plaza Vieja, uma passagem noturna pelo Café Taberna onde por 30 CUC (cerca 30€) é possível assistir a um espetáculo do Buena Vista Social Club.

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Outros clássicos de Havana

Havana tem muitos pontos de interesse e é uma cidade relativamente ampla, pelo que a melhor forma de ficar com uma panorâmica geral é através de um passeio de cerca de 1h num dos famosos clássicos americanos, descapotável se possível. Além da experiência de andar num carro que existe desde os anos 50 e que chegou, sabe-se lá como, até aos nossos dias, ficamos a conhecer outros clássicos de Havana mais afastados. O motorista é flexível, pára as vezes que quisermos para explorar mais à vontade e ainda  conta umas piadas e umas histórias sobre os diferentes locais por onde vamos passando.

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O Hotel Nacional. Abriu em 1930 e esteve envolvido na Crise dos mísseis de 1962, como quartel-general de Fidel Castro. É um espaço cheio de história e de estórias. O Hotel Havana Livre, o antigo Hilton antes da Revolução, nacionalizado e posteriormente ocupado pelos revolucionários em 1959, tendo sido sede do governo durante quase um ano.

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O Malecón, o passeio ribeirinho com cerca de 8 km que liga a Velha Havana à Nova Havana. É uma avenida onde os loucos dos condutores cubanos passam a “rasgar” nos seus bólides deixando uma nuvem de dióxido de carbono no ar, o cheiro mas característico da cidade, a par dos charutos.

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O Parque Histórico Militar que se estende do outro lado da baía, imponente. Alberga o Castelo dos Três Reis do Morro e a Fortaleza San Carlos Cabana. Também aqui é possível ter uma vista impressionante da cidade e assistir à famosa Cerimonia del Canonazo, onde diversos canhões são disparados diariamente, ao por do sol. Nós não assistimos mas diz quem viu que é mais ou menos…um “flop”. Uma atuação para turista ver. Por isso é para esquecer. Aproveitamos para jantar num paladar (passamos por um na Calle Compostela muito agradável) ou beber uma cerveja acompanhada das famosas croquetas locais na Cervejaria/Fábrica da Plaza Vieja.

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A Plaza de la Revolucion que, à semelhança dos carros clássicos, deverá ser uma das imagens mais icónicas (e fotografadas) de Havana. É o local dos grandes encontros do povo Cubano. Milhões de pessoas aqui se reuniam para ouvir os discursos de Fidel Castro e é o local emblemático das comemorações do 1º Maio. Em 1998 recebeu a missa do Papa João Paulo II. No centro, o imponente Memorial José Martí com 109 m de altura, monumento de homenagem (mais um) ao grande herói nacional. Do outro lado, o famoso Ministério do Interior, o edifício que tem a célebre imagem de Che Guevara ladeada pela bandeira cubana.

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O Bairro Chinês que na verdade, segundo o que nos disseram, não tem chineses. Abandonaram Cuba aquando da Revolução e o Bairro, apesar de manter a traça e elementos da cultura e tradições nipónicas, foi ocupado por cubanos e até hoje assim se mantém. É apenas mais uma das muitas peculiaridades desta cidade que a cada canto nos surpreende.

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E por fim o Cemitério Cólon, o maior da ilha, e última morada de algumas personalidades famosas. É verdadeiramente gigante.

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Estes são alguns dos pontos que destacam, para visitar em pelo menos dois dias de viagem. Menos que isso a visita torna-se quase superficial e apressada. Na verdade teria lá ficado um semana ou mais para absorver mais da vida de Havana.

Esta foi sem dúvida uma viagem que me marcou. Não só porque andava há muitos anos com ela na cabeça mas porque na verdade Cuba é um país único onde tudo pode acontecer (e acreditem que acontece).

Cuba é um país único onde tudo pode acontecer (e acreditem que acontece). Os cubanos são bem-dispostos, conversadores e com uma enorme “lábia” mas que nos tentam levar sempre pela positiva. Na verdade, de todas as vezes que nos “deixamos ir” acabamos por ficar a conhecer um pouco melhor a sua cultura e tradições de uma forma mais próxima e real. Deixem-se ir, sem receios porque de certeza vão sair mais ricos de Cuba do que entraram.

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