O que visitar em Dubrovnik, a pérola do Adriático

…Jóia da Croácia e Património Cultural Mundial, Dubrovnik é uma cidade entre a montanha Srd e o mar Adriático, rodeada das mais fabulosas paisagens, uma cidade museu rica em palácios, igrejas, praças e com uma das mais bem preservadas muralhas da Europa.

Dubrovnik, pérola do Adriático…

Foi proclamada património da Humanidade em 1979 pela UNESCO pela sua herança arquitetónica, cultural e histórica. Constituída no século VII, inicialmente conhecida como Ragusa (Ilha Rochosa), só após o final da Primeira Guerra Mundial e da derrocada do Império Austro-Húngaro, passou a ser Dubrovnik. A sua história é rica e aqui  nasceram o primeiro sistema de abastecimento de águas do mundo, a quarentena (que bela invenção) e o primeiro orfanato. Uma das primeiras farmácias da Europa está também aqui localizada e também a primeira escola pública. A cidade foi ainda a primeira a abolir a escravatura e o comércio de escravos em 1416.


Mote político da cidade inscrito nas portas do Palácio do Reitor

Obliti privatorum – publica curate

[Esqueçam os assuntos privados, cuidem dos públicos]


 

Em outubro de 1991, Dubrovnik foi atacada e praticamente devastada, durante o ataque das tropas sérvias e montenegrinas, que assinalou a saída da Croácia da antiga Jugoslávia. A Guerra dos Balcãs decorreu entre 1991 e 1992 entre a Croácia e a Sérvia e destruiu grandes áreas da cidade e muitos dos monumentos históricos. Durante este período mais de 2000 bombas e mísseis caíram sobre a cidade. Do topo das muralhas  é possível perceber a diferença entre os telhados das casas atingidas durante a Guerra dos Balcãs e durante o ataque de 1991, e os originais. As muralhas, com os seus imponentes 25 metros de altura, resistiram aos ataques, assim como os seus três fortes (Minceta, Bokar e S. João). As muralhas, bastião de defesa da cidade, impressionam pela sua estrutura robusta constituída por 16 torres, 6 bastiões, 2 fortificações e 2 cidadelas. Com 1900 metros de cumprimentos permite um passeio interessante à volta da cidade e uma visão global, de cima, da forma como a cidade se estende até ao azul mar Adriático.

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A melhor forma de conhecer a cidade é passear na Placa ou Stardun, a principal avenida de Dubrovnik. Com 292 metros de cumprimento, é por aqui que toda a vida da cidade passa. A larga avenida foi drenada de um canal pantanoso que separava os dois lados da antiga cidade, a Ilha de Ragusa e a parte continental, dando origem a uma cidade única e indivisível. Esta avenida sobreviveu não só ao grande terremoto de 1667 como aos bombardeamentos do cerco de Dubrovnik. Do lado da Porta Pile, a mais importante entrada na cidade, podemos encontrar a fonte de S. Onofre, importante fonte de água fresca para locais e visitantes, e do lado oposto a famosa Torre do Relógio, com 31 metros de altura e cujo sino toca de hora a hora.

StradumPlacaIMG_0012Fonte S Onofre

A cidade está ainda repleta de palácios como esplendoroso Sponza, um palácio localizado no final da Placa, e o Palácio do Reitor, do outro lado da praça, com as suas imponentes colunas e uma grande mistura de estilos arquitetónicos (barroco, gótico e renascentista), que demonstram o número de vezes que o palácio foi reconstruído.

Sforza

Dubrovnik é ainda reconhecido pelas suas inúmeras igrejas, sendo talvez a mais famosa a Igreja barroca do Santo Padroeiro, S. Vlaha, na Praça onde culmina a principal avenida da cidade. Talvez por isso as suas escadas são ponto de encontro e local de convívio de muitos locais e turistas. A poucos metros encontramos a Catedral de Dubrovnik, a Igreja da Assumpção de Nossa Sra. que guarda um importante tesouro:  um conjunto de peças de ouro e prata de diversos santos e uma relíquia de S. Vlaha.

Dubrovnik - Igreja S. Basil

A cidade tem ainda dois mosteiros que recomendo visitar. O Mosteiro Dominicano que guarda no seu interior interessantes obras de arte e o Mosteiro Franciscano onde é possível encontrar uma das mais antiga farmácias da Europa, a mais antiga em termos de continuidade de serviço, em funcionamento desde a sua abertura (datada de 1317). A farmácia inclui ainda a maior coleção de literatura farmacológica, com mais de 2000 receitas, datadas do século XV. Este Mosteiro foi atingido durante a guerra dos Balcãs  e ainda é possível encontrar no seu interior, numa das paredes, vestígios de um bombardeiro, deixado para memória do ataque em 1991. No mosteiro existe ainda um livro que resista a devastação provocada no mosteiro durante o cerco de 1991-1992.

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Ponto obrigatório de passagem e de muitos encontros é o Porto da cidade, de onde, em tempos, saiam os barcos para os mais diferentes pontos do globo. Atualmente é  local de “estacionamento” das mais variadas embarcações que transportam turistas em diferentes excursões, passeios ou apenas até à ilha de Lokrum. O porto é dominado pelo forte de S. Ivan que defendia a cidade de ataques de piratas e embarcações inimigas.

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Outro ponto de defesa da cidade é o Forte Lovrijenac, conhecido como a “Gibraltar de Dubrovnik”. Tem 37 metros de altura e as suas muralhas tem 6 m de largura do lado terrestre, 4 m do lado do Mar e 60 cm do lado da cidade, uma medida para evitar que o comandante do forte não tivesse mais poder que o governante da cidade.


Mote que desde sempre orienta a cidade

Citação gravada no Forte Lovrijenac

Non bene pro toto libertas venditur auro

[A liberdade não se vende, nem por todo o ouro do mundo]


Forte LovrijenacIMG_0065

Dubrovnik está rodeada das mais belas e cristalinas águas do Adriático e é impossível visitar a cidade sem passar pelas suas singulares praias. Aqui as praias são paredões rochosos junto às muralha ou pequenas praias de seixos. No entanto a temperatura das águas e a sua beleza e tranquilidade são um convite a entrar e um enorme obstáculo a sair :).

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Dubrovnik é definitivamente um dos destinos mais famosos do mundo conforme comprova a quantidade de pessoas que vagueiam pela cidade apesar do calor sufocante e húmido do mês de agosto. Ponto de paragem de inúmeros navios de cruzeiro e de inúmeros visitantes, a cidade recebe todos com boa disposição.  É a cidade ideal para vaguear sem mapa. As ruas apertadas, que desaguam em praças, pátios ou em outras ruas ainda mais apertadas, fazem de Dubrovnik um quebra-cabeças que não queremos parar de montar até ficar com a imagem total.

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Guia Prático:

Como ir: de avião se partir diretamente de Portugal, de autocarro se vier de algum outro destino das redondezas como Montenegro, os Bósnia.

Onde ficar: Não existem muitos hotéis no centro histórico, mas existe a hipótese de aluguer de mini-apartamentos que são uma solução mais económica e que permite ficar em algumas das melhores localizações da cidade.

Como se deslocar: a pé. Aliás, no centro não existem mesmo qualquer outra hipótese porque não circulam veículos automóveis.

Onde e o que comer: bom e barato não encontrámos uma vez que sendo uma cidade altamente turística os preços estão amplamente inflacionados. No entanto, é possível encontrar boas opções onde o peixe é rei. Recomendo o restaurante Barba. Fica numa das transversais da Placa, Rua Boskoviceva, e é um pequeno restaurante onde o peixe e frutos do mar em geral é rei. E até podemos comer no exterior, nas escadas. As especialidades são os mini peixinhos fritos (tipo petinguinha mas ainda mais pequenos), os calamares e os hambúrguer de salmão e sardinha.  A outra opção para comer dos melhores pratos de Peixe é a Lokanda Peskarija. Excelente arroz de frutos do mar, excelentes mexilhões e ostras bem frescas. Fica mesmo no Porto.

A moeda: a moeda é o Kuna (kn) e quando comparada com o euro é inferior, pelo que o câmbio até favorável.

Algumas palavras:

Olá – dobar dan

Obrigado – hvala

Adeus – dovidenja (doveedjenya)

Por favor – molim vas

One thought on “O que visitar em Dubrovnik, a pérola do Adriático

  1. Manuel says:

    Informações MT úteis. Como vou num cruzeiro e só fico poucas horas, optei por excursão em vez de visitar só. Provavelmente verei MT menos coisas mas talvez o mais importante. Obrigado

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