Voltar a Veneza

Veneza continua uma cidade inebriante e única e oito anos depois da primeira visita foi possível ir para lá do obvio e descobrir pequenos tesouros, o que demonstra que apesar da sua dimensão, esta é uma cidade que é preciso explorar com tempo e sensibilidade.

Pequena e labiríntica, a movimentada cidade, está organizada em seis zonas, os sestieri, cada uma com uma personalidade própria e locais singulares para descobrir. Numa primeira visita é normal ficarmos pelo distrito de San Marco onde se localizam os principais monumentos,  de riqueza patrimonial invejável, como a Basílica de San Marco,o Pallazo Ducale, o Museu Correr que alberga inúmeras obras primas, a  Ponte dei Sospiri, a Torre dell’Orologio e o imponente Campanille, todos situados na majestosa Praça de S. Marcos.

Numa visita mais prolongada ou num regresso a Veneza, a tendência é fugir das multidões que rodeiam esta zona e percorrer outras áreas da cidade igualmente pitorescas e encantadoras.

Oito anos depois isto foi o que descobri: pequenas surpresas nos sestieri de Dorsoduro, Cannaregio e Castello.

É no Dorsoduro que se localizam dois dos mais importantes museus da Cidade, Accademia, para quem aprecia obras de arte mais clássicas, e a Coleção Peggy Guggenheim, para quem aprecia obras mais contemporâneas. É também aqui que podemos visitar a grandiosa Igreja de Santa Maria della Salute, um dos marcos arquitetónicos da cidade. Foi mandada contruir pelo Dodge como agradecimento pela salvação da cidade da peste de 1630. No seu interior, uma enorme escultura representa o Dodge a pedir à Virgem que salve a cidade da Peste. Mesmo no extremo desta zona, na Punta della Dogana, temos uma das vistas mais espetaculares da Praça de S. Marcos e da Igreja de S. Giorgio.

Até sem grandes novidades, mas tenho quase a certeza que a Igreja de S. Giorgio não foi local de visita, fica ali meio deslocada e abandonada, na sua ilha. Esta enorme igreja merece lugar de destaque. De enorme beleza, exterior e interior, guarda três magnificas obras de Tintoretto. Do topo do campanille tem-se uma das mais fabulosas vistas da cidade. Motivos não faltam para apanhar o Vaporetto na Praça de San Marcos e partir à descoberta.

Dorsoduro tem também alguns segredos bem escondidos como uma Casa que se diz amaldiçoada (infelizmente não registei o nome da rua). Todos os seus donos, desde tempos imemoriais até agora, morreram em curto espaço de tempo após a sua aquisição. Dizem que estas mortes se devem ao facto de ter sido construída no local de um antigo cemitério templário. O aspeto da casa é sem dúvida sinistro rua). Encontram ainda inúmeras ruas de nome Rio Terá que escondem um antigo canal. Atualmente apenas visível pelo indicação “Rio Terá” no nome da rua e pelos diferentes tipos de pedra, que marcam as fundações originais da rua e aquelas que foram depois colocadas no local onde corria o canal.

Cannaregio é caracterizado por áreas tranquilas onde podemos passear à beira dos canais quase em silêncio como é o caso da Fondamemta de la Misericordia. É também aqui que encontramos o antigo Guetto Judeu, atualmente um local de memória aos judeus mortos na II Guerra Mundial e o atual bairro judeu. Ainda por aqui podemos percorrer a Strada Nova, uma rua ampla, ideal para passear, ladeada de lojas diversas, cafés e restaurantes.

Por fim, no Castello existem dois locais a descobrir. O Campo Santi Giovanni e Paolo onde se localiza a bonita igreja com o mesmo nome e um dos mais espantosos hospitais onde tive a oportunidade de entrar. A sua entrada parece a de um Pallazo ou teatro, com as suas colunas decoradas, verdadeiramente imponente. Ainda nesta zona, e esta parte é mesmo um segredo pelo que partilhe apenas com quem achar importante, localiza-se a mais fantástica ponte, mesmo atrás da Ponte dos Suspiros, onde pode tirar quantas fotos quiser sem ter que lutar por um espacinho para os cotovelos, a Ponte de la Canonica. Um verdadeiro tesouro.

aqui falei um pouco sobre a pressão turística que Veneza tem sido alvo pelo que vou só aproveitar para relembrar algumas ideias básicas para que possamos continuar a desfrutar de Veneza sem destruir a sua beleza e especificidades. Assim, termino com um pouco de turismo sustentável (nenhuma novidade, apenas relembrando e resumindo):

. Procurar comprar produtos e comer nos restaurantes que sejam verdadeiramente detidos por locais;  

. Não deitar lixo no chão ou deixar espalhados pelos cantos e recantos

. Não parar nas pontes e caminhos estreitos para tirar fotos, descansar e sobretudo comer, procurar andar sempre pela direita e não comer nas escadas das igrejas e outros monumentos.

Outras descobertas, onde comer bem e a preços razoáveis:

. Al Vaporetto – Trattoria familiar, com comida caseira e ambiente agradável e, sobretudo, preços razoáveis [Localização]

. Nuova Valigia – Restaurante e Pizzaria de boa qualidade/preço. As pizzas são enormes e com uma variedade sem fim e o esparguete com ameijoas do melhor que já comi na vida [localização]

. Gelato Fantasy – ma-ra-vi-lho-sos, é só o que tenho a dizer. [localização]

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