Kotor, história com vista para a baía

Kotor é uma pequena cidade, comprimida entre as montanhas e o mar adriático, com muito charme e algumas histórias para descobrir. A cidade está cercada por uma muralha fortificada que se estende pela colina acima, por 1200 m de cumprimento, até uma altura de 260 m acima do nível do mar. Kotor com os seus mais de 200 anos é um aglomerado medieval de igrejas, palácios e praças de inspiração sobretudo veneziana (que nos recordam que o poderoso reino italiano aqui exerceu o seu domino durante mais de quatro séculos). Património da Humanidade da UNESCO, Kotor está extremamente bem preservada e a sua beleza mantém-se intocável, sendo um dos mais bem preservados núcleos urbanos medievais do mediterrâneo.

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As suas muralhas são igualmente um exemplo da construção de fortificações da Europa. O inicio da construção data do século IX e é constituída por três portas por onde as pessoas entravam e saiam da cidade, todas usadas até hoje. A “escalada” das muralhas implica subir 1350 degraus e, apesar de dura, é altamente recompensada pela vista, a melhor de Kotor. A subida exige alguma forma física e muita determinação. Nos dias de maior calor a melhor hora para subir é mesmo de manhãzinha, quando está menos calor e o sol ainda não bate com toda a sua força na colina de S. João. Enquanto subia aquelas escadas ou pelo caminho lateral de pedras perguntei-me muitas vezes como faziam os antigos habitantes do castelo para subir aquilo, qual a velocidade com que o faziam e pior, como levavam mantimentos encosta acima. Passaram a ser os meus heróis. A meio caminho encontramos a pequena igreja de Nossa Sra. da Saúde, estrategicamente colocada para descansarmos da subida e preparamos o que ainda falta. A igreja é simples e de pequena dimensão, mas quer vista de cima, quer das ruas da cidade não passa despercebida. A muralha termina no Forte de Kotor ou Castelo de São João, onde é possível avistar não só toda a cidade e o seu porto, como também uma grande parte do fiorde onde esta se instalou há mais de 200 anos atrás. É uma vista prodigiosa e única, impossível de traduzir por palavras.

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A entrada na cidade é feita através da porta do Mar, construída durante o domínio veneziano. Por cima da porta é possível encontrar uma estrela comunista que assinala a data da libertação dos nazis na II Guerra Mundial, com uma frase de Tito, o líder que esteve à frente da antiga Jugoslávia após o fim da guerra. No entanto também é possível entrar na cidade por duas portas laterais, menos óbvias, mas que nos levam direto pelas suas ruas labirínticas. A porta do Rio que dá entrada para uma rua mais calma e passa sobre as translúcidas águas do rio Skurda e a Porta Gurdić, a mais afastada e que nos leva por um estreito corredor, junto às muralhas que, por ser uma entrada menos procurada, nos permite sentir o espírito de outras épocas e o que seria entrar na cidade nessa altura.

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Kotor tem ainda uma vasta riqueza patrimonial espalhada por toda a cidade nos seus monumentos mais emblemáticos como a Torre do Relógio, a Catedral de S. Tryphon , as Igrejas de Sveti Luka e Sveta Marija  e os inúmeros palácios como Bizanti, Buca, Pima e Grgurin.

A Torre do Relógio é um dos símbolos da cidade desde 1602. O seu relógio emblemático é mantido atualizado e a horas, através dos séculos, pela mesma família de relojoeiros. Já a Catedral de S. Tryphon, catedral católica do século XII, foi reconstruída diversas vezes devido aos múltiplos tremores de terra que abalaram Kotor ao longo dos séculos, um dos quais acabou por destruir totalmente a sua fachada, assim como as torres. O que mais me cativou a atenção no seu interior foram os pilares de pedra cor-de-rosa, os recortes dos frescos originais que sobreviveram ao longo dos séculos e a peça do altar, um baixo-relevo de prata bastante impressionante. A igreja inclui ainda diversos relicários com partes dos santos, incluindo do próprio S. Tryphon, patrono da cidade. Outra igreja que merece visita é a Igreja de S. Nicolau, localizada numa das mais movimentadas praças da cidade. Como qualquer igreja ortodoxa cheira a incenso e a respeito, onde se destaca o fantástico iconóstase, a parede do altar que separa os fieis dos líderes religiosos, nas igrejas ortodoxas. Ainda na mesma praça, descobri a Igreja de S. Lucas, pequena, mas com uma história bastante interessante e atribulada. Foi construída em 1195 como uma igreja católica, mas entre 1657 e 1812 o serviço acontecia de forma alternada, entre a doutrina católica e a ortodoxa, coexistindo os dois altares lado a lado. Atualmente é uma igreja ortodoxa, como atesta o seu fantástico iconóstase. Dos palácios destaco o Pima cuja arquitetura tradicional montenegrina (uma mistura de barroca com renascentistas) se destaca na Praça da Farinha (acho que aqui existiu um importante armazém de farinha, daí o nome peculiar). Não sei porque, talvez por parecer completamente desenquadrado do resto da praça, adorei este palácio e as suas peculiaridades.

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A vida na cidade faz-se em redor das suas múltiplas praças, ponto de encontro e centro das mais diversas atividades. Atualmente preenchidas com cafés e restaurantes continuam a ser o local ideal para apreciar quem passa e colocar a conversa em dia. As ruas estreitas de pedra da cidade antiga são ideais para vaguear sem pressa e sem mapa, parando aqui e ali para um gelado, uma bebida fresca ou para provar, num dos muitos restaurantes, as especialidades locais de inspiração mediterrânica. Por tudo isto a cidade encontra-se protegida na lista da UNESCO como Herança Cultural Mundial, desde 1979.

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Fora das muralhas não podemos deixar de visitar o pequeno mercado onde podemos encontrar sobretudo produtos locais como azeitonas, azeite, queijos, frutas e legumes (bem guardados por dezenas de abelhas) e peixe fresco. É o local ideal para ficar a conhecer os produtos locais, tipicamente mediterrânicos. A “praia” é outro local indispensável, sobretudo nos meses de verão. A areia fina é aqui substituída por pequenos seixos que nos magoam os pés ao entrar na agua e as costas que nos deitamos no chão, mas as águas límpidas e tépidas são um convite que não conseguimos resistir, sobretudo pela vista envolvente.

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Guia Prático:

Como ir: autocarro, carro ou barco. Não existem alternativas mais rápidas uma vez que Kotor fica no meio do fiorde. Os acessos podem ser feitos, para quem chega de avião, através de Dubrovnik (cerca de 1h30 a 2h dependendo do transito na fronteira) ou via Podgorica, capital do Montenegro, cuja distância é um pouco maior, mas não tem a desvantagens das filas para atravessar a fronteira.

Onde ficar: existem uma série de hotéis mesmo no centro histórico. Recomendo o Hotel Villa Duomo, se puderem escolher o sótão tanto melhor. É um hotel construído num edifício tradicional recuperado e o quarto do sótão é um charme com a cama colocada na clarabóia. Adorei.

Como se deslocar: a pé. Aliás, no centro não existe mesmo qualquer outra hipótese porque não circulam veículos automóveis na cidade velha.

Onde e o que comer: a cidade está coberta de restaurantes por todo o lado. Nas praças e até nas ruas mais estreitas. Recomendo o City e o Astoria. O primeiro para comida mais tradicional e o segundo para comida com um pouco mais de requinte. Os preços são médios e a comida muito próxima da italiana, mas com mais foco no peixe fresco e frutos do mar (mexilhões, peixe frito e grelhado, calamares, risotos de frutos do mar).

A moeda: a moeda é o € apesar do país do ser da União Europeia. Ficou assim definido em 2006 quando Montenegro se separou da Sérvia.

Dubrovnik, pérola do Adriático…

…Jóia da Croácia e Património Cultural Mundial. Estes são alguns dos adjetivos utilizados para descrever Dubrovnik, uma cidade dividida entre a montanha Srd e o mar Adriático, repleta das mais fabulosas paisagens e belezas naturais, uma cidade museu rica em palácios, igrejas, praças e com uma das mais bem preservadas muralhas da europa.

Dubrovnik, pérola do Adriático…

Foi proclamada património da Humanidade em 1979 pela UNESCO pela sua herança arquitetónica, cultural e histórica. Dubrovnik foi responsável pelo primeiro sistema de abastecimento de águas do mundo, pela criação da quarentena e do primeiro orfanato. Uma das primeiras farmácias da europa está também aqui localizada, num mosteiro, e ainda a primeira escola pública. A cidade foi ainda a primeira a abolir a escravatura e o comércio de escravos em 1416.


Mote político da cidade inscrito nas portas do Palácio do Reitor

Obliti privatorum – publica curate

[Esqueçam os assuntos privados, cuidem dos públicos]


 

Em outubro de 1991 Dubrovnik foi atacada e praticamente devastada, durante o ataque das tropas sérvias e montenegrinas, que assinalou a saída da Croácia da antiga Jugoslávia. A Guerra dos Balcãs que decorreu entre 1991 e 1992 entre a Croácia e a Sérvia acabou por destruir vários monumentos históricos assim como diversas zonas da cidade. Durante este período mais de 2000 bombas e mísseis caíram sobre a cidade.

Do topo das muralhas com 25 metros de altura é possível perceber a diferença entre os telhados das casas atingidos durante a Guerra dos Balcãs e durante o ataque de 1991, e os originais, pela cor das telhas. As muralhas resistiram aos ataques, bem como os seus três fortes (Minceta, Bokar e S. João). As muralhas incluem ainda 16 torres, 6 bastiões, 2 fortificações nos cantos e 2 cidadelas. Com 1900 metros de cumprimentos permite um passeio interessante à volta da cidade.

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Outra forma de conhecer a cidade é passear na Placa ou Stardun, a principal avenida de Dubrovnik, com 292 metros de cumprimento, é por aqui que toda a vida da cidade passa. A larga avenida foi drenada de um canal pantanoso que separava os dois lados da antiga cidade, a parte localizada na Ilha de Ragusa da parte continental, dando origem a uma cidade única e indivisível. Esta avenida sobreviveu não só ao grande terremoto de 1667 como aos bombardeamentos do Cerco de Dubrovnik. No seu início, do lado da Porta Pile, a mais importante entrada na cidade, podemos encontrar a fonte de S. Onofre, importante fonte de água fresca para locais e visitantes, e do lado oposto a famosa Torre do Relógio, com 31 metros de altura e cujo topo culmina com um sino tocado de hora a hora por Maro e Baro.

StradumPlacaIMG_0012Fonte S Onofre

A cidade está ainda repleta de palácios onde se destacam pelo seu esplendor o Sponza, um palácio localizado no final da Placa, e o Palácio do Reitor do outro lado da praça, com as suas imponentes colunas e uma grande mistura de estilos arquitetónicos (barroco, gótico e renascentista), que demonstram o número de vezes que o palácio teve que ser reconstruído.

Sforza

Dubrovnik é ainda reconhecido pelas suas inúmeras igrejas, sendo talvez a mais famosa a Igreja barroca do santo Padroeiro, S. Vlaha, na Praça onde culmina a principal avenida da cidade. Talvez por isso as suas escadas são ponto de encontro e local de convívio de muitos locais e turistas. A poucos metros encontramos a Catedral de Dubrovnik, a Igreja da Assumpção de Nossa Sra. que recebe atualmente um importante tesouro, com um conjunto de peças de ouro e prata de diversos santos e uma relíquia de S. Vlaha.

Dubrovnik - Igreja S. Basil

A cidade tem ainda dois mosteiros que recomendo visitar. O Mosteiro dominicano que guarda no seu interior interessantes obras de arte e o Mosteiro Franciscano onde é possível encontrar uma das mais antiga farmácias da Europa, a mais antiga em termos de continuidade de serviço, mantendo-se em funcionamento desde a sua abertura (datada de 1317) até hoje. A farmácia inclui ainda a maior coleção de literatura farmacológica, com mais de 2000 receitas, datadas do século XV. O Mosteiro foi atingido durante a guerra dos Balcãs  e ainda é possível encontrar no seu interior vestígios de um bombardeiro que foi deixado numa das paredes para memória do ataque de 6 de dezembro de 1991. No mosteiro existe ainda um livro que resista a devastação provocada no mosteiro durante o cerco de 1991-1992.

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Ponto obrigatório de passagem e de muitos encontros é o Porto da cidade, de onde, em tempos, saiam os barcos para os mais diferentes pontos do globo. Atualmente é o local de “estacionamento” das mais variadas embarcações que transportam turistas em diferentes excursões, passeios ou apenas até à ilha de Lokrum. O porto é dominado pelo forte de S. Ivan que defendia a cidade de ataques de piratas e embarcações inimigas.

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Outro ponto de defesa da cidade é o forte Lovrijenac, conhecido como a Gibraltar de Dubrovnik. Tem 37 metros de altura e as suas muralhas tem 6 m de largura do lado terrestre, 4 m do lado do Mar e 60 cm do lado da cidade, uma medida para evitar que o comandante do forte não tivesse mais poder que o governante da cidade.


Mote que desde sempre orienta a cidade

Citação gravada no Forte Lovrijenac

Non bene pro toto libertas venditur auro

[A liberdade não se vende, nem por todo o ouro do mundo]


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E porque Dubrovnik está rodeado das mais belas e cristalinas águas do Adriático é impossível visitar a cidade sem passar pelas suas invulgares praias. E digo invulgares apenas por comparação com as “normais” praias de areia. Aqui as praias são os paredões rochosos da cidade, mesmo junto às muralha, ou pequenas praias de seixos que nos magoam os pés ao entrar. No entanto a temperatura das águas e a sua beleza e tranquilidade são um convite a entrar e um enorme obstáculo a sair :).

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Dubrovnik é definitivamente um dos destinos mais famosos do mundo conforme comprova a quantidade de pessoas que vagueiam pela cidade apesar do calor sufocante e húmido do mês de agosto. Ponto de paragem de inúmeros navios de cruzeiro e de inúmeros visitantes, a cidade recebe todos com boa disposição.  É a cidade ideal para vaguear sem mapa. As ruas apertadas, que desaguam em praças, pátios ou em outras ruas ainda mais apertadas, fazem de Dubrovnik um quebra-cabeças que não queremos parar de montar até ficar com a imagem total.

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Guia Prático:

Como ir: de avião se partir diretamente de Portugal, de autocarro se vier de algum outro destino das redondezas como Montenegro, os Bósnia.

Onde ficar: Não existem muitos hotéis no centro histórico, mas existe a hipótese de aluguer de mini-apartamentos que são uma solução mais económica e que permite ficar em algumas das melhores localizações da cidade.

Como se deslocar: a pé. Aliás, no centro não existem mesmo qualquer outra hipótese porque não circulam veículos automóveis.

Onde e o que comer: bom e barato não encontrámos uma vez que sendo uma cidade altamente turística os preços estão amplamente inflacionados. No entanto, é possível encontrar boas opções onde o peixe é rei. Recomendo o restaurante Barba. Fica numa das transversais da Placa, Rua Boskoviceva, e é um pequeno restaurante onde o peixe e frutos do mar em geral é rei. E até podemos comer no exterior, nas escadas. As especialidades são os mini peixinhos fritos (tipo petinguinha mas ainda mais pequenos), os calamares e os hambúrguer de salmão e sardinha.  A outra opção para comer dos melhores pratos de Peixe é a Lokanda Peskarija. Excelente arroz de frutos do mar, excelentes mexilhões e ostras bem frescas. Fica mesmo no Porto.

A moeda: a moeda é o Kuna (kn) e quando comparada com o euro é inferior, pelo que o câmbio até favorável.

Algumas palavras:

Olá – dobar dan

Obrigado – hvala

Adeus – dovidenja (doveedjenya)

Por favor – molim vas

5 razões para visitar a Andaluzia

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1.Catedral-Mesquita em Córdoba

Um dos maiores edifícios islâmicos do mundo e o monumento mais importante em todo o Ocidente islâmico, Património da UNESCO desde 1984.

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2.Os Bairros típicos

A Judiaria medieval de Córdoba, bairro típico que se estende ao redor da Mezquita, o bairro de Albazín, um dos mais antigos e pitorescos de Granada, património da UNESCO desde 1994 ou o Bairro de Santa Cruz em Sevilha, onde cada rua e ruela, cada praça ou pátio estão repletos de histórias de outros tempos.

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3.Os Pátios de Córdoba

São uma das maiores imagens de marca da cidade, distinguidos como Património da Humanidade pela UNESCO.

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4.O Alhambra

Considerado o mais grandioso complexo do mundo e símbolo de uma Granada moura, cidade de luxo de um mundo árabe que aqui se instalou. Alhambra foi palácio e fortaleza durante séculos, residência dos mais importantes sultões nazarís, bem como a sua respetiva corte e soldados de elite.

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5.A comida

Os gaspachos, os salmorejos, os calamares, as tapas, a paella, os montaditos, o jamon (presunto), esta região tem dos pratos com mais sabor e tradição. Irresistíveis.

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Os pátios de Córdoba

Devido ao clima seco e quente de Córdoba, os primeiros habitantes da cidade desenvolveram uma tipologia de casas que permitia suportar melhor o clima. Esta tipologia centrava a vida da casa à volta de um pequeno e fresco pátio, onde se localizava o poço da habitação. O pátio tornou-se assim o lugar onde decorriam todas as relações familiares e sociais, seja um espaço de refeições em família ou para receber os amigos e vizinhos.

A introdução de plantas e flores ficou a dever-se aos muçulmanos com o objetivo de aumentarem a sensação de fresco nos pátios. Todas as casas com pátios têm características próprias com as suas paredes caiadas e cheias de vasos de plantas e flores, com chão de pedra, para assegurar o fresco no verão. Por este motivo, estes espaços de origem romana e islâmica são pequenos microclimas no meio da cidade.

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Atualmente estes pátios são uma das maiores imagens de marca da cidade, a par da Catedral-Mesquita, distinguidos como Património da Humanidade pela Unesco.

Quando os começamos a conhecer percebemos que existem diferentes tipos de pátios, de arquitetura antiga e moderna ou renovada. A diferença assenta apenas na idade do edifício, casas com mais de cinquenta anos das que têm menos e foram completamente renovados recentemente.

Onde se podem visitar?

Uma das rotas mais conhecida é a do bairro de Alcázar Viejo, junto ao Alcázar. Ao fazer esta rota podemos visitar 7 pátios das diferentes tipologias. São todos únicos, mas os que mais gostei, por um ou outro pormenor, foram o Martin de Roa 2, o Postrera 28 e o Duartas 2, mas no geral todos são surpreendentes e um pequeno paraíso escondido nas ruas de Córdoba.

Martin de Roa 2 –encostado às paredes do Alcázar Viejo e que remonta a 1200. Tem o piso de pedra cordobês e mais de 40 espécies diferentes de plantas e flores, dispostos pelo chão e paredes. É conhecido como ‘El Patio de la Muralla’.

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Postrera 28 – Um dos pátios mais pequenos e também dos mais antigos. Este foi um dos meus preferidos. Além das cores dos inúmeros vasos de flores entre os azuis e rosas fortes, tem um poço tradicional no centro que lhe dá um ar muito típico. Não é à toa que em 24 anos de competição já recebeu 21 prémios.

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Duartas 2: mais um pátio tradicional, onde o que mais me atraiu foi a casa tradicional onde podemos visitar a cozinha com o forno tradicional e a lavandaria. Para além das espécies tradicionais de flores podemos também encontrar um limoeiro, uma laranjeira e um jasmim.

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Festa dos Pátios

É uma das maiores festas tradicionais de Córdoba e decorre durante o mês de maio. É nesta festa que são escolhidos os melhores, mais bonitos e mais floridos da cidade, dentro de cada categoria – Arquitetura Tradicional ou Moderna.

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À descoberta da Andaluzia

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Andaluzia é das zonas mais puras de Espanha e que faz questão de manter bem vivas as suas tradições regionais – as touradas (quer concordemos, quer não), a siesta, o flamenco e as guitarras, os seus pratos icónicos como a paella, o salmorejo, as tapas e o jamon (que é como quem diz presunto).

Gosto desta região de Espanha pela sua mistura de estilos e tradições, resultado de oito séculos de convívio entre duas das mais fortes religiões e ideologias, o cristianismo e o islamismo. Estas presenças deixaram espalhadas por todo o lado marcas da sua passagem e atualmente ainda podemos encontrar locais sui generis como a Catedral-Mesquita de Córdoba, bairros de inspiração árabe com inúmeras igrejas católicas, como Albazín, em Granada, ou um típico minarete de Mesquita, hoje transformado em campanário da Catedral de Sevilha.

Estas misturas fazem da Andaluzia e de cidades como Granada, Sevilha e Córdoba locais únicos a descobrir.

Começando por Córdoba, encontramos uma cidade única, onde a sua principal atração é a Catedral-Mesquita, mas sem esquecer os frescos e floridos Pátios, escondidos por detrás de pequenas portas, espalhados um pouco por toda a cidade. Córdoba é uma cidade pequena, mas cujo enorme legado cultural e monumental, fazem dela Património da UNESCO desde 1994. As suas origens perdem-se no tempo e a sua localização nas margens do Rio Guadalaquivir e a riqueza das suas terras fizeram dela o local ideal para as mais diferentes civilizações se instalarem. A Catedral-Mesquita é visita obrigatória pela sua arquitetura única, um híbrido entre estilo muçulmano e católico, e pela sua dimensão, é um dos maiores edifícios islâmicos do mundo e o monumento mais importante em todo o Ocidente islâmico, Património da UNESCO de 1984. É um símbolo vivo que retrata a aliança milenar entre a arte e a fé.

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Mais sobre a Catedral e sobre Córdoba aqui.


De Córdoba seguimos para Granada, outro exemplo vivo da presença árabe na região da Andaluzia, onde se destaca o grandioso Alhambra, uma das maiores e mais poderosas construções do mundo muçulmano e casa dos nazarís durante mais de 200 anos. Não esquecer ainda o bairro de Albazín, um dos mais antigos e pitorescos de Granada, com ruas estreitas e casas típicas e que se mantém quase inalterado durante os últimos séculos. Não é por isso de estranhar que seja património da UNESCO desde 1994. Seguindo as ruas de Abayzín desembocamos no Bairro de Sacromonte onde encontramos as típicas casas da gruta, transformadas em clubes ou cafés de flamengo.

Granada - Mirador de San NicolásGranada - Albazín


Mais sobre Granada aqui.


Terminamos em Sevilha. Sevilha é uma daquelas cidades espanholas que soube manter o seu ar histórico e tradicional. Adoro perder-me nas ruas estreitas e sinuosas do Bairro de Santa Cruz e descobrir novos caminhos e recantos, adoro admirar, cá de baixo e de pescoço bem esticado a Giralda, o antigo minarete da cidade durante a ocupação árabe e que foi convertido em campanário para a Catedral de Sevilha. É uma obra de arte da arquitetura árabe e com mais de 104 metros de altura tem a melhor vista da cidade. Sevilha é especialmente grandiosa durante a Semana Santa na qual mais de 50 irmandades religiosas dos diferentes bairros da cidade desfilam pelas ruas, saindo das diversas igrejas até à “Carrera Oficial” (percurso oficial e obrigatório para todas), que começa na Campana e finaliza ao sair da Catedral, onde se realiza a estação de penitência. Milhares de pessoas nas ruas acompanham as irmandades que carregam esplendorosos andores que pesa para cima de uma tonelada e que são carregados por mais de uma dezena de Costaleros, durante um percurso que pode durar mais de 8 horas. Todas as procissões são acompanhadas de dezenas de irmãos e nazarenos que tentam imitar o sofrimento de Cristo com penitências públicas durante estas procissões. É uma cerimonia de grande respeito. Em Sevilha é também possível assistir aos melhores espetáculos de flamenco, seja nas ruas ou nas inúmeras salas e cafés. Foi nas suas imediações que o flamenco nasceu entre os gitanos, no final do século XVIII, e a cidade soube manter viva a tradição até hoje.

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Mais sobre Sevilha aqui e sobre a Semana Santa aqui.


Guia Prático:

Como ir: A Andaluzia é um daqueles destinos que se pode fazer de carro partindo de Portugal, no entanto estas cidades são também acessíveis de avião.

Granada, séculos de história e tradição

É inegável a presença árabe em Granada, ultimo reduto muçulmano em Espanha, basta, para isso, contemplar à distância o grandioso Alhambra, uma das maiores e mais poderosas construções do mundo. A cidade esteve nas mãos dos árabes entre 711 e o século XVI quando os Reis Católicos Isabel e Fernando aqui se instalaram. Deste período nasce a alcáçova mais imponente do mundo árabe, Alhambra onde os nazarís permaneceram durante mais de 200 anos.

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A chegado dos Reis Católicos levou à transformação das mesquitas em igrejas e é construída a Catedral e Capela Real, panteão dos Reis, dois pontos chaves que marcam o centro histórico de Granada. Os dois monumentos confirmam a preferência dos Reis Católicos por esta cidade, fazendo questão de aqui ficarem para a eternidade. A Catedral é o maior símbolo do cristianismo da cidade, concorrendo de forma feroz com as influências árabes até então presentes.

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Nas ruas adjacentes é possível encontrar lojas de artesanato, pequenos cafés ou bares de tapas e muita animação, exceto nas horas de descanso, a seguir ao almoço, quando Alhambra fecha os olhos para voltar a acordar ainda como mais energia.

Saindo do centro, entramos no bairro de Albazín, um dos mais antigos e pitorescos de Granada, com ruas estreitas e casas típicas com uma beleza e charme inigualável, mantendo-se quase inalterado durante os séculos. Aqui podemos andar horas perdidos em ruas estreitas e empinadas que vão desembocar em Praça amplas e solarengas onde é possível descansar bebendo uma cerveja e provando umas tapas. Por aqui parece que estamos em qualquer pequena povoação árabe, com lojas de artesanato, especiarias, cafés, cheiros e sabores árabes. O ponto mais visitado do antigo bairro mourisco é o Mirador de San Nicolás – um ponto de vista com vistas deslumbrantes para o Alhambra. Não é por isso de estranhar que Albayzín seja património da UNESCO desde 1994.

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Um dos percursos mais emblemáticos para Albayzín é através da Plaza Nueva e percorrendo a Carrera del Darro, uma rua de paralelepípedos que serpenteia ao lado do Rio Darro e que nos deixa frente a frente com o Alhambra.

Granada - Carrera del DarroGranada - Carrera del Darro

As ruas estreitas de Albayzín levam-nos direto ao coração do Bairro Cigano de Sacromonte onde ainda é possível encontrar as típicas casas da gruta, hoje quase todas transformadas em clubes ou cafés onde à noite é possível assistir a espéculos de flamengo. No topo do monte (é possível subir a pé ou apanhando um minibus que passa pelo bairro) encontramos a Abadia de Sacromonte onde temos umas das mais fantásticas vistas do Alhambra, da cidade e até, mais ao fundo, da Serra Nevada.

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Não é à toa que deixo o Alhambra para o fim. Este conjunto de edifícios e jardins é considerado o mais grandioso do mundo e símbolo de uma Granada moura, cidade de luxo de um mundo árabe que aqui se instalou. Alhambra foi palácio e fortaleza durante séculos, residência dos mais importantes sultões nazarís, bem como a sua respetiva corte e soldados de elite.

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Foi construída na colina de terra avermelhada de Sabika, o que lhe valeu o nome de “Castelo construído de terra vermelha” ou Kalat al Hamrá, que depois deu origem a Alhambra.

Dentro do complexo é possível o Alcazaba, a zona mais antiga do Alhambra, essencialmente dedicada à vigilância com a Torre do Cubo, a Praça e a Porta das Armas e a Torre de Observação. É ainda possível visitar o palácio de Charles V, o Generalife, magníficos jardins e local, os Palácios Nazari, coração da Alhambra e casa dos sultões, os Banhos da Mesquita, os Bosques e todos os espaços interligados com água que se pode ouvir a correr por todo o recinto.

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24 Horas em Córdoba

Córdoba é uma cidade única, onde a sua principal atração, a gigante Catedral-Mesquita, assume o total protagonismo, rivalizando atenções com os verdejantes e frescos Pátios , escondidos nas estreitas e sinuosas ruas da cidade, coloridas por inúmeros vasos de flores. É uma cidade relativamente pequena, possível de visitar em apenas um dia mas cujo enorme legado cultural e monumental, fazem dela Património da UNESCO desde 1994.

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As suas origens perdem-se no tempo. A sua localização perto do rio e a riqueza das suas terras fizeram dela o local ideal para as mais diferentes civilizações se instalarem. Destacam-se os visigodos, os romanos e o califado Muçulmano, cuja obra mais visível é claramente a Catedral Mesquita, um imponente edifício que ocupa o espaço mais central da zona histórica da cidade.

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Fundada em 785 dC, a gigantesca mesquita de Córdoba é um maravilhoso híbrido arquitetónico, uma mistura de religiões, diferente de qualquer outro em Espanha. A Catedral-Mesquita é um dos maiores edifícios islâmicos do mundo e o monumento mais importante em todo o Ocidente islâmico, Património da UNESCO de 1984. É um símbolo vivo que retrata a aliança milenar entre a arte e a fé, começando sob domínio visigodo com a construção, neste mesmo local, da Basílica de San Vicente, passando para a cultura islâmica que ali construiu o maior templo do Ocidente Islâmico, passando para o esplendor gótico, renascentista e barroco das obras da Igreja Católica que ali se instalou definitivamente em 1236, como Catedral de Santa Maria.

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Circular dentro da Catedral é uma total explosão de sentidos. Os nossos olhos não são capazes de fixar toda a beleza e grandiosidade do local e o nosso cérebro não consegue processar toda a informação com que é abordado, em especial os antagónicos arcos e colunas islâmicos, que abrigam, estranhamente, altares, vitrais e murais católicos.

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Saindo para o exterior ainda sem acreditar na fabulosa obra de arte que acabamos de contemplar seguimos em direção à Ponte Romana e Torre Calahorra, atravessando a Puerta del Puente. A Ponte foi construída no século I a.c. e passou por várias reformas ao longo da história. É composta por dezasseis arcos e no centro tem uma escultura de San Rafael, obra do século XVI. No extremo sul da Ponte, encontramos a Torre de Calahorra, local de defesa da cidade desde os tempos antigos.

Ponte Romana e Torre CalahorraPuerta del Puente

Seguimos a visita para o Alcazar de los Reyes Cristianos, uma fortaleza e palácio por onde passaram vários governantes da cidade e que, à semelhança do resto da cidade, mistura diferentes estilos arquitetónicos, romano, visigótico e árabe. Ao longo da sua história tem tido múltiplas utilizações, como sede do Santo Ofício (Inquisição) ou prisão. O quadrado e solido edifício surpreende no seu interior pelos diferentes pátios com flores exóticas, ervas e árvores frondosas, com quartos e corredores com cúpulas de pedra góticas, capelas barrocas, cúpulas estreladas de inspiração árabe, jardins onde o murmúrio da água e a frondosa vegetação são um local de frescura e calma no tórrido calor de verão. Junto ao palácio é possível encontrar os Estábulos Reais, criados em 1570, por Felipe II cuja grande sua paixão por cavalos o levou a procurar criar uma pura raça espanhola.

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Outra visita a não perder é pela Judiaria medieval, bairro típico que se estende ao redor da Mezquita, labirinto de ruas estreitas e edifícios caiados de branco com janelas floridas. Uma das ruas mais famosas e tradicionais deste bairro é a Rua das Flores.É também, sem duvida, a mais fotografada. Estreita e sinuosa, desagua numa pequena praça com varandas de treliça preenchidas com flores perfumando o ar.

Calle FloresCalle Flores1Judiaria

As Plazas são uma das tradições mais típicas de Espanha e Córdoba não foge às tradições. As Plazas mais emblemáticas, seja para beber uma cerveja ou uma sangria, jantar ou comer umas tapas são a Plaza de las Tendillas, a mais central da cidade e uma das mais animadas, e a Plaza de la Corredera, localizada num antigo circo romano, foi utilizada como praça de touros, local de celebração de atos de fé, proclamações e execuções durante a invasão francesa e hoje é a praça ideal para comer umas tapas num dos muitos cafés e bares.

Plaza de la CorrederaPlaza de las Tendillas

Deixo para o fim os Pátios de Córdoba, uma das atrações mais marcantes e tradicionais da cidade. Os Pátios de Córdoba têm o seu ponto alto por altura do Festival de Pátios, festival reconhecido como património cultural imaterial da UNESCO, realizado na primeira quinzena de maio. Todos os proprietários de pátios tradicionais podem participar na condição de abrir os seus pátios ao público. Entre maio e julho é possível visitar estes pátios através de diversos circuitos organizados, como o de Alcazar Viejo. Estes pátios estão localizados no bairro de San Basilio e o percurso é composto por 7 pátios tradicionais, cheios de surpresas e elementos históricos, alguns como poços, arcos e peças tradicionais centenários. São espaços de tranquilidade, cheios de flores, na sua maioria mais de 400, que nos transportam para o passado onde estes pátios eram casas reais da antiga Córdoba. O Festival tem contribuído para a preservação deste património cultural e permitem, de forma organizada, que visitemos estes locais.

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Fiquei muito fã desta pequena cidade da Andaluzia. É o local ideal para uma escapadinha de fim-de-semana ou umas mini-ferias aqui mesmo ao lado, em Espanha. Córdoba é decididamente uma cidade pitoresca e despretensiosa, com boa comida e bom ambiente.