Pocitlej, um tesouro a descobrir

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Pocitelj é uma pequena vila da Bósnia e Herzegovina, com uma população atual de 869 habitantes. A vila, construída numa colina, é Património da Humanidade da Unesco e tem uma fascinante mistura de arquitetura medieval e otomana. Vila fortificada foi construída na margem esquerda do rio Neretva, supostamente no ano de 1383, e é conhecida como a “vila de pedra”. No século XVIII Počitelj tornou-se uma vila fronteiriça muito importante estrategicamente entre a Herzegovina otomano e a Dalmácia veneziana. Com o domínio austro-húngaro na Bósnia e Herzegovina em 1878, Počitelj perdeu a sua importância estratégica e deteriorou-se nas décadas seguintes.

Pocitelj contém apenas algumas casas dispersas, cafés, a Torre do Relógio, um forte muralhado mesmo no topo da colina, uma magnifica mesquita, cujo minarete é visível de quase todos os pontos da vila, e inúmeras romãzeiras de onde é produzido um dos mais deliciosos produtos locais, o sumo de romã.

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O Forte de Počitelj foi construído durante vários seculos e representava um importante Sistema de defesa da vila.  Construído 45 m acima do nível do mar, oferece vistas deslumbrantes ao longo do rio Neretva de toda a vila. A mesquita de Hadži Alija’s, outro dos símbolos da vila, é um exemplo da arquitetura otomana na vila e ocupa uma posição central na vila, perfeitamente enquadrada com a natureza circundante. Uma visita à vila não fica completa sem uma passagem pela Torre do Relógio, construída em pedra e datada de 1664.

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Destacam-se ainda outros edifícios como o mekteb (escola primária muçulmana), o imaret (cozinha), a medresa (escola secundária muçulmana), o hamam (banhos públicos) e a Han (posada pública). Estas estruturas remontam a meados do século XVII. Falta ainda referir a casa dominante de Počitelj, Gavrakanpetanović, um complexo de três edifícios menores construídos nos séculos XVI e XVII. O edifício central foi convertido nos anos 60 e 70 em alojamentos para artistas da Colónia Internacional de Arte e atualmente recebe artistas de todo o mundo.

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Durante a Guerra dos Balcãs que decorreu entre 1992-96 a vila foi bombardeada e sofreu extensos danos. Em 1996, Pocitelj foi adicionado ao World Monuments Watch, a lista que reúne os patrimónios históricos ameaçados.

Počitelj tem um ar mágico que transcende o tempo. É verdadeiramente uma pérola da Bósnia e Herzegovina e um tesouro que deve ser mantido intocável.

Mostar, uma cidade que não vou esquecer

Para perceber a Bósnia e a própria cidade de Mostar é preciso conhecer a história deste território desde a sua origem. A Bósnia e Herzegovina nasceu da dissolução da Jugoslávia, mas as suas origens datam à época do Império Romano. Outros importantes impérios passaram por esta região deixando as suas marcas e fazendo da Bósnia a mistura de etnias que é hoje, nomeadamente o Império Otomano, na segunda metade do século XV até 1878, e o Império Austro-Húngaro que durou até à I Guerra Mundial.

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No final da Guerra nasce a Jugoslávia, anexando entre outros territórios a Bósnia, governado por Tito, um ditador que conseguiu manter a união entre povos e etnias distintos até 1981, ano da sua morte. A paz entre os povos, após a sua morte, durou até 1991, quando a Bósnia e Herzegovina, a Croácia, a Servia e a Eslovénia se uniram a declarar a independência da Jugoslávia, dominada pelos sérvios. Em resposta os nacionalistas sérvio-bósnios (que basicamente não queriam a independência) começam a perseguir os muçulmanos. Recorde-se que o país estava dividido entre cristãos, os sérvios de maioria ortodoxa e os croatas católicos, e os bósnios maioritariamente muçulmanos. De 1992 a 1995, enquanto durou a guerra civil nos Balcãs, morreram mais de 200 mil pessoas naquelas terras e 2.5 milhões fugiram dos horrores da guerra. Apenas os ataques aéreos da NATO conseguiram levar os sérvios da Bósnia a conversações de paz em 1995, o que levou à assinatura do Acordo de Dayton.

O acordo deu origem à Bósnia e Herzegovina, composta pela Federação da Bósnia e Herzegovina (que inclui muçulmanos e croatas) e a Republica Srpska (onde se localizam os sérvios). Assim, o país continua separado, mas unido em torno de uma mesma bandeira. A população continua a representar esta mistura de etnias com 48% Bósnios (essencialmente muçulmanos), que vivem essencialmente na zona mais central, 37% de Sérvios (Ortodoxos) no norte e este do país e 14% Croatas (Católicos) essencialmente no sul e oeste. O próprio governo do país espelha esta separação com uma governação tripartida que muda de x em x meses, para dar lugar a que as três etnias se vejam  representadas.

É assim fácil perceber a dicotomia em que a Bósnia e em particular a cidade de Mostar se encontram. Mostar está, como o país, dividida em duas partes, de um lado os muçulmanos bósnios e do outro sérvios e croatas, cada grupo ocupando uma das margens do rio Neretva que funciona como fronteira natural entre elas. As suas pontes têm sido, desde sempre, pontos de aproximação.

No entanto, ao entrar na cidade são visíveis as cicatrizes que persistem da guerra civil, com prédios ainda por reconstruir e outros com as marcas visíveis de tiroteios ou rajadas das armas (para memória futura dizem). Esta é uma das imagens que mais me marcou e que até hoje não consegui processar. Imaginam-se a viver em apartamentos cuja fachada está completamente coberta de buracos de bala, memoria sempre presente de uma guerra recente?

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Quando chegamos à zona histórica, sobretudo após atravessar o rio Neretva, o impacto é ainda maior e a primeira pergunta que nos surge é “De certeza que estamos na Europa?”. A influência otomana é evidente. O recorte da cidade está coberto de telhados e minaretes de mesquitas, as ruas parecem bazares, com artesanato e restaurantes muçulmanos, e cheira a shisha por todo o lado.

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Claro que um dos principais pontos de visita da cidade é a Ponte Stari Most, um ícone que ligou durante mais de 400 anos os dois lados da cidade, uma ponte de ligação entre dois mundos distintos e uma ponte de entendimento entre ocidente e oriente. A ponte ficou famosa pela forma como foi ataca e destruída durante a Guerra dos Balcãs, “um dia triste para todos os habitantes da cidade”, segundo nos disseram. Foi reconstruída em 2004 e é atualmente um dos principais atrativos da cidade, símbolo da coexistência de comunidades de diversas origens culturais, étnicas e religiosas, sublinhando os esforços ilimitados da solidariedade humana para a paz e cooperação. A Stari Most é nos dias de hoje local de passagem de muitos turistas e dos famosos saltos para a água.

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Curiosamente, explicaram-nos que se nos quisermos atirar temos que solicitar autorização aos “Guardiões da Ponte”, ensaiar os saltos num local nas suas imediações e só depois de dominar o salto de menor altura nos autorizam a saltar da ponte. Toda esta explicação suscitou-me logo uma questão…existem assim tantos visitantes de Mostar que tenham o súbito desejo de se atirar de uma ponte da altura de 30 m? Estranho! Por mim deixo essas acrobacias para os locais ou para os profissionais do Red Bull Clif Diving que por ali passa todos os anos. A ponte e o centro histórico de Mostar foram classificados como Património Mundial da UNESCO em 2005. No Museu da Ponte Velha que fica instalado numa das torres de defesa pode não só ter uma vista diferente da ponte como conhecer através de uma exposição a sua história. Na outra torre poderá visitar uma exposição fotográfica com poderosas imagens da guerra captadas pelo fotografo Neozelandês, Wade Goddard, durante a guerra.

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No entanto Mostar vai muito para além da Ponte Velha. Percorrer as suas ruas é uma verdadeira revolução para os sentidos com as cores das peças de artesanato, os cheiros dos restaurantes e dos bares de sisha e as imagens dos edifícios envolventes, bem como a atenção que é necessário ter quando caminhamos, uma vez que as pedras do chão, seixos do rio, estão lisas e escorregadias por mais de 400 anos de utilização. Por toda a cidade encontramos ainda pedras com a inscrição “Don’t Forget” cujo objetivo é manter viva a memória da destruição da ponte e da cidade de Mostar, não só aos seus habitantes (como se isso fosse possível) mas também a todos os visitantes que anualmente por ali passam.

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Neste percurso é possível ficar a conhecer a Kriva Cuprija, uma pequena ponte que atravessa o riacho Rabobolja e que foi construída como teste para a Stari Most. Foi nela que testaram a inclinação e os materiais antes de avançar com a ponte principal. Outro ponto de passagem é a mesquita Koski Mehmed Pasa, datada de 1617 e reconstruída em 2001, após a guerra. Esta foi a primeira vez que entrei numa mesquita e achei o seu interior cheio de simbolismos. Desde o nicho totalmente pintado, de onde o íman faz as orações e que está construído para refletir a sua voz para os restantes crentes, virado obviamente para Mecca, o Minber, uma espécie de altar onde o íman faz as orações nos dias sagrados e o domo cuja pintura altamente elaborada representa os céus.

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Mostar é definitivamente uma cidade para deambular e absorver. Tudo aqui é diferente do que estamos habituados e a memória da guerra surpreende-nos a cada esquina, seja pelas placas “Don’t Forget”, pelos edifícios esburacados ou destruídos, pelos edifícios claramente reconstruídos ou por um qualquer habitante local que partilha uma memória desses tempos. O impacto que nos deixa é real e eu pessoalmente não me consegui desligar do facto de esta guerra ter pouco mais de 20 anos, ter sido tão fatal e sobretudo tão próxima de todos nós que vivemos na Europa e de me ter passado tão ao lado.

Guia Prático: 
Como ir: A partir do aeroporto de Sarajevo ou de Dubrovnik, de autocarro ou comboio.

Como se deslocar: a pé, uma vez que na zona histórica não circulam veículos automóveis.

Onde e o que comer: apesar da passagem por Mostar ter sido curta recomendo o restaurante Sadrvan, além da comida tradicional e da simpatia dos empregados, tem um pátio interior muito agradável.

A moeda: a moeda é o Marco Bósnio (BAM), obviamente de valor inferior ao euro.

Pontos de Vista #37

Kotor é a cidade dos gatos. Nunca vi em lado nenhum tantos bichanos. Em cada esquina, nos portões, nas lojas, nos bancos de jardins. Cada um com o seu feitio e com a sua simpatia.

 

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Olha um cesto. Vou já ficar por aqui e empurrar estes recuerdos dos turistas para o chão

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Deslarguem-me…está demasiado calor para festas.

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Olha uma mala. Parece confortável para me instalar

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Fotos ok mas não venhas cá com festas.

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Donativos para gatos abandonados? Ponha aqui nesta caixinha pf

 

 

Kotor, história com vista para a baía

Kotor é uma pequena cidade, comprimida entre as montanhas e o mar adriático, com muito charme e algumas histórias para descobrir. A cidade está cercada por uma muralha fortificada que se estende pela colina acima, por 1200 m de cumprimento, até uma altura de 260 m acima do nível do mar. Kotor com os seus mais de 200 anos é um aglomerado medieval de igrejas, palácios e praças de inspiração sobretudo veneziana (que nos recordam que o poderoso reino italiano aqui exerceu o seu domino durante mais de quatro séculos). Património da Humanidade da UNESCO, Kotor está extremamente bem preservada e a sua beleza mantém-se intocável, sendo um dos mais bem preservados núcleos urbanos medievais do mediterrâneo.

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As suas muralhas são igualmente um exemplo da construção de fortificações da Europa. O inicio da construção data do século IX e é constituída por três portas por onde as pessoas entravam e saiam da cidade, todas usadas até hoje. A “escalada” das muralhas implica subir 1350 degraus e, apesar de dura, é altamente recompensada pela vista, a melhor de Kotor. A subida exige alguma forma física e muita determinação. Nos dias de maior calor a melhor hora para subir é mesmo de manhãzinha, quando está menos calor e o sol ainda não bate com toda a sua força na colina de S. João. Enquanto subia aquelas escadas ou pelo caminho lateral de pedras perguntei-me muitas vezes como faziam os antigos habitantes do castelo para subir aquilo, qual a velocidade com que o faziam e pior, como levavam mantimentos encosta acima. Passaram a ser os meus heróis. A meio caminho encontramos a pequena igreja de Nossa Sra. da Saúde, estrategicamente colocada para descansarmos da subida e preparamos o que ainda falta. A igreja é simples e de pequena dimensão, mas quer vista de cima, quer das ruas da cidade não passa despercebida. A muralha termina no Forte de Kotor ou Castelo de São João, onde é possível avistar não só toda a cidade e o seu porto, como também uma grande parte do fiorde onde esta se instalou há mais de 200 anos atrás. É uma vista prodigiosa e única, impossível de traduzir por palavras.

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A entrada na cidade é feita através da porta do Mar, construída durante o domínio veneziano. Por cima da porta é possível encontrar uma estrela comunista que assinala a data da libertação dos nazis na II Guerra Mundial, com uma frase de Tito, o líder que esteve à frente da antiga Jugoslávia após o fim da guerra. No entanto também é possível entrar na cidade por duas portas laterais, menos óbvias, mas que nos levam direto pelas suas ruas labirínticas. A porta do Rio que dá entrada para uma rua mais calma e passa sobre as translúcidas águas do rio Skurda e a Porta Gurdić, a mais afastada e que nos leva por um estreito corredor, junto às muralhas que, por ser uma entrada menos procurada, nos permite sentir o espírito de outras épocas e o que seria entrar na cidade nessa altura.

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Kotor tem ainda uma vasta riqueza patrimonial espalhada por toda a cidade nos seus monumentos mais emblemáticos como a Torre do Relógio, a Catedral de S. Tryphon , as Igrejas de Sveti Luka e Sveta Marija  e os inúmeros palácios como Bizanti, Buca, Pima e Grgurin.

A Torre do Relógio é um dos símbolos da cidade desde 1602. O seu relógio emblemático é mantido atualizado e a horas, através dos séculos, pela mesma família de relojoeiros. Já a Catedral de S. Tryphon, catedral católica do século XII, foi reconstruída diversas vezes devido aos múltiplos tremores de terra que abalaram Kotor ao longo dos séculos, um dos quais acabou por destruir totalmente a sua fachada, assim como as torres. O que mais me cativou a atenção no seu interior foram os pilares de pedra cor-de-rosa, os recortes dos frescos originais que sobreviveram ao longo dos séculos e a peça do altar, um baixo-relevo de prata bastante impressionante. A igreja inclui ainda diversos relicários com partes dos santos, incluindo do próprio S. Tryphon, patrono da cidade. Outra igreja que merece visita é a Igreja de S. Nicolau, localizada numa das mais movimentadas praças da cidade. Como qualquer igreja ortodoxa cheira a incenso e a respeito, onde se destaca o fantástico iconóstase, a parede do altar que separa os fieis dos líderes religiosos, nas igrejas ortodoxas. Ainda na mesma praça, descobri a Igreja de S. Lucas, pequena, mas com uma história bastante interessante e atribulada. Foi construída em 1195 como uma igreja católica, mas entre 1657 e 1812 o serviço acontecia de forma alternada, entre a doutrina católica e a ortodoxa, coexistindo os dois altares lado a lado. Atualmente é uma igreja ortodoxa, como atesta o seu fantástico iconóstase. Dos palácios destaco o Pima cuja arquitetura tradicional montenegrina (uma mistura de barroca com renascentistas) se destaca na Praça da Farinha (acho que aqui existiu um importante armazém de farinha, daí o nome peculiar). Não sei porque, talvez por parecer completamente desenquadrado do resto da praça, adorei este palácio e as suas peculiaridades.

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A vida na cidade faz-se em redor das suas múltiplas praças, ponto de encontro e centro das mais diversas atividades. Atualmente preenchidas com cafés e restaurantes continuam a ser o local ideal para apreciar quem passa e colocar a conversa em dia. As ruas estreitas de pedra da cidade antiga são ideais para vaguear sem pressa e sem mapa, parando aqui e ali para um gelado, uma bebida fresca ou para provar, num dos muitos restaurantes, as especialidades locais de inspiração mediterrânica. Por tudo isto a cidade encontra-se protegida na lista da UNESCO como Herança Cultural Mundial, desde 1979.

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Fora das muralhas não podemos deixar de visitar o pequeno mercado onde podemos encontrar sobretudo produtos locais como azeitonas, azeite, queijos, frutas e legumes (bem guardados por dezenas de abelhas) e peixe fresco. É o local ideal para ficar a conhecer os produtos locais, tipicamente mediterrânicos. A “praia” é outro local indispensável, sobretudo nos meses de verão. A areia fina é aqui substituída por pequenos seixos que nos magoam os pés ao entrar na agua e as costas que nos deitamos no chão, mas as águas límpidas e tépidas são um convite que não conseguimos resistir, sobretudo pela vista envolvente.

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Guia Prático:

Como ir: autocarro, carro ou barco. Não existem alternativas mais rápidas uma vez que Kotor fica no meio do fiorde. Os acessos podem ser feitos, para quem chega de avião, através de Dubrovnik (cerca de 1h30 a 2h dependendo do transito na fronteira) ou via Podgorica, capital do Montenegro, cuja distância é um pouco maior, mas não tem a desvantagens das filas para atravessar a fronteira.

Onde ficar: existem uma série de hotéis mesmo no centro histórico. Recomendo o Hotel Villa Duomo, se puderem escolher o sótão tanto melhor. É um hotel construído num edifício tradicional recuperado e o quarto do sótão é um charme com a cama colocada na clarabóia. Adorei.

Como se deslocar: a pé. Aliás, no centro não existe mesmo qualquer outra hipótese porque não circulam veículos automóveis na cidade velha.

Onde e o que comer: a cidade está coberta de restaurantes por todo o lado. Nas praças e até nas ruas mais estreitas. Recomendo o City e o Astoria. O primeiro para comida mais tradicional e o segundo para comida com um pouco mais de requinte. Os preços são médios e a comida muito próxima da italiana, mas com mais foco no peixe fresco e frutos do mar (mexilhões, peixe frito e grelhado, calamares, risotos de frutos do mar).

A moeda: a moeda é o € apesar do país do ser da União Europeia. Ficou assim definido em 2006 quando Montenegro se separou da Sérvia.

Dubrovnik, pérola do Adriático…

…Jóia da Croácia e Património Cultural Mundial. Estes são alguns dos adjetivos utilizados para descrever Dubrovnik, uma cidade dividida entre a montanha Srd e o mar Adriático, repleta das mais fabulosas paisagens e belezas naturais, uma cidade museu rica em palácios, igrejas, praças e com uma das mais bem preservadas muralhas da europa.

Dubrovnik, pérola do Adriático…

Foi proclamada património da Humanidade em 1979 pela UNESCO pela sua herança arquitetónica, cultural e histórica. Dubrovnik foi responsável pelo primeiro sistema de abastecimento de águas do mundo, pela criação da quarentena e do primeiro orfanato. Uma das primeiras farmácias da europa está também aqui localizada, num mosteiro, e ainda a primeira escola pública. A cidade foi ainda a primeira a abolir a escravatura e o comércio de escravos em 1416.


Mote político da cidade inscrito nas portas do Palácio do Reitor

Obliti privatorum – publica curate

[Esqueçam os assuntos privados, cuidem dos públicos]


 

Em outubro de 1991 Dubrovnik foi atacada e praticamente devastada, durante o ataque das tropas sérvias e montenegrinas, que assinalou a saída da Croácia da antiga Jugoslávia. A Guerra dos Balcãs que decorreu entre 1991 e 1992 entre a Croácia e a Sérvia acabou por destruir vários monumentos históricos assim como diversas zonas da cidade. Durante este período mais de 2000 bombas e mísseis caíram sobre a cidade.

Do topo das muralhas com 25 metros de altura é possível perceber a diferença entre os telhados das casas atingidos durante a Guerra dos Balcãs e durante o ataque de 1991, e os originais, pela cor das telhas. As muralhas resistiram aos ataques, bem como os seus três fortes (Minceta, Bokar e S. João). As muralhas incluem ainda 16 torres, 6 bastiões, 2 fortificações nos cantos e 2 cidadelas. Com 1900 metros de cumprimentos permite um passeio interessante à volta da cidade.

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Outra forma de conhecer a cidade é passear na Placa ou Stardun, a principal avenida de Dubrovnik, com 292 metros de cumprimento, é por aqui que toda a vida da cidade passa. A larga avenida foi drenada de um canal pantanoso que separava os dois lados da antiga cidade, a parte localizada na Ilha de Ragusa da parte continental, dando origem a uma cidade única e indivisível. Esta avenida sobreviveu não só ao grande terremoto de 1667 como aos bombardeamentos do Cerco de Dubrovnik. No seu início, do lado da Porta Pile, a mais importante entrada na cidade, podemos encontrar a fonte de S. Onofre, importante fonte de água fresca para locais e visitantes, e do lado oposto a famosa Torre do Relógio, com 31 metros de altura e cujo topo culmina com um sino tocado de hora a hora por Maro e Baro.

StradumPlacaIMG_0012Fonte S Onofre

A cidade está ainda repleta de palácios onde se destacam pelo seu esplendor o Sponza, um palácio localizado no final da Placa, e o Palácio do Reitor do outro lado da praça, com as suas imponentes colunas e uma grande mistura de estilos arquitetónicos (barroco, gótico e renascentista), que demonstram o número de vezes que o palácio teve que ser reconstruído.

Sforza

Dubrovnik é ainda reconhecido pelas suas inúmeras igrejas, sendo talvez a mais famosa a Igreja barroca do santo Padroeiro, S. Vlaha, na Praça onde culmina a principal avenida da cidade. Talvez por isso as suas escadas são ponto de encontro e local de convívio de muitos locais e turistas. A poucos metros encontramos a Catedral de Dubrovnik, a Igreja da Assumpção de Nossa Sra. que recebe atualmente um importante tesouro, com um conjunto de peças de ouro e prata de diversos santos e uma relíquia de S. Vlaha.

Dubrovnik - Igreja S. Basil

A cidade tem ainda dois mosteiros que recomendo visitar. O Mosteiro dominicano que guarda no seu interior interessantes obras de arte e o Mosteiro Franciscano onde é possível encontrar uma das mais antiga farmácias da Europa, a mais antiga em termos de continuidade de serviço, mantendo-se em funcionamento desde a sua abertura (datada de 1317) até hoje. A farmácia inclui ainda a maior coleção de literatura farmacológica, com mais de 2000 receitas, datadas do século XV. O Mosteiro foi atingido durante a guerra dos Balcãs  e ainda é possível encontrar no seu interior vestígios de um bombardeiro que foi deixado numa das paredes para memória do ataque de 6 de dezembro de 1991. No mosteiro existe ainda um livro que resista a devastação provocada no mosteiro durante o cerco de 1991-1992.

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Ponto obrigatório de passagem e de muitos encontros é o Porto da cidade, de onde, em tempos, saiam os barcos para os mais diferentes pontos do globo. Atualmente é o local de “estacionamento” das mais variadas embarcações que transportam turistas em diferentes excursões, passeios ou apenas até à ilha de Lokrum. O porto é dominado pelo forte de S. Ivan que defendia a cidade de ataques de piratas e embarcações inimigas.

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Outro ponto de defesa da cidade é o forte Lovrijenac, conhecido como a Gibraltar de Dubrovnik. Tem 37 metros de altura e as suas muralhas tem 6 m de largura do lado terrestre, 4 m do lado do Mar e 60 cm do lado da cidade, uma medida para evitar que o comandante do forte não tivesse mais poder que o governante da cidade.


Mote que desde sempre orienta a cidade

Citação gravada no Forte Lovrijenac

Non bene pro toto libertas venditur auro

[A liberdade não se vende, nem por todo o ouro do mundo]


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E porque Dubrovnik está rodeado das mais belas e cristalinas águas do Adriático é impossível visitar a cidade sem passar pelas suas invulgares praias. E digo invulgares apenas por comparação com as “normais” praias de areia. Aqui as praias são os paredões rochosos da cidade, mesmo junto às muralha, ou pequenas praias de seixos que nos magoam os pés ao entrar. No entanto a temperatura das águas e a sua beleza e tranquilidade são um convite a entrar e um enorme obstáculo a sair :).

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Dubrovnik é definitivamente um dos destinos mais famosos do mundo conforme comprova a quantidade de pessoas que vagueiam pela cidade apesar do calor sufocante e húmido do mês de agosto. Ponto de paragem de inúmeros navios de cruzeiro e de inúmeros visitantes, a cidade recebe todos com boa disposição.  É a cidade ideal para vaguear sem mapa. As ruas apertadas, que desaguam em praças, pátios ou em outras ruas ainda mais apertadas, fazem de Dubrovnik um quebra-cabeças que não queremos parar de montar até ficar com a imagem total.

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Guia Prático:

Como ir: de avião se partir diretamente de Portugal, de autocarro se vier de algum outro destino das redondezas como Montenegro, os Bósnia.

Onde ficar: Não existem muitos hotéis no centro histórico, mas existe a hipótese de aluguer de mini-apartamentos que são uma solução mais económica e que permite ficar em algumas das melhores localizações da cidade.

Como se deslocar: a pé. Aliás, no centro não existem mesmo qualquer outra hipótese porque não circulam veículos automóveis.

Onde e o que comer: bom e barato não encontrámos uma vez que sendo uma cidade altamente turística os preços estão amplamente inflacionados. No entanto, é possível encontrar boas opções onde o peixe é rei. Recomendo o restaurante Barba. Fica numa das transversais da Placa, Rua Boskoviceva, e é um pequeno restaurante onde o peixe e frutos do mar em geral é rei. E até podemos comer no exterior, nas escadas. As especialidades são os mini peixinhos fritos (tipo petinguinha mas ainda mais pequenos), os calamares e os hambúrguer de salmão e sardinha.  A outra opção para comer dos melhores pratos de Peixe é a Lokanda Peskarija. Excelente arroz de frutos do mar, excelentes mexilhões e ostras bem frescas. Fica mesmo no Porto.

A moeda: a moeda é o Kuna (kn) e quando comparada com o euro é inferior, pelo que o câmbio até favorável.

Algumas palavras:

Olá – dobar dan

Obrigado – hvala

Adeus – dovidenja (doveedjenya)

Por favor – molim vas

Copenhaga Day Trip: Castelos de Hamlet e Frederiksborg

Uma visita a Copenhaga não fica completa sem uma escapadinha de 1 dias ao norte da Dinamarca para descobrir dois dos mais icónicos e espetaculares castelos. Sim, eu sei que Copenhaga já tem castelos que cheguem para visitar, mas acreditem que este vão valer a pena. O Castelo de Kronborg porque foi a inspiração para uma das mais célebres obras de Wiliam Shakespeare, Hamlet, e como tal cenário de várias peças de teatro e filmes sobre o tema. O Castelo de Frederiksborg pela sua grandiosidade e beleza dos seus jardins barrocos e zona envolvente, rodeado das mais verdejantes paisagens e um lago que espelha a sua beleza.

A viagem pode ser feita de forma circular, de Helsingor, onde fica localizado o Castelo de Kronborg para Hillerod, onde encontramos o Castelo de Frederiksborg, ou ao contrário. Ambas as povoações são bem servidas de transportes públicos (comboios). Começando por Helsingor pode ainda incluir um passeio de ferry, seguido de almoço na Suécia, mais concretamente em Helsinborg, que fica a não mais de 20’ de distância.

O Castelo de Kronborg é uma verdadeira lenda, Património da Unesco, construído como manda a lei dos castelos, com torres altaneiras, um gigante salão de baile, canhões, muralhas, casernas subterrâneas, os aposentos do Rei, os aposentos da rainha, Capela privada, enfim, tudo a que a família real tinha direito para se divertir e estar bem protegida.

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O espaço que mais me impressionou foi claramente o salão de baile. É o maior salão do norte da Europa e foi aqui que as duas filhas mais velhas dos monarcas casaram. É o local ideal para grandes festas e banquetes, motivos pelos quais Kronborg ficou conhecido. Festas de grande esplendor com convidados que vinham de longe apenas para mostrar as suas roupas de festa novas, cheia de brocados de ouro e veludos de seda adornados com fitas e rendas. As paredes eram decoradas com tapeçarias deslumbrantes retratando reis passados e uma miríade de velas perfumadas eram acendidas nos magníficos candelabros. Ah! Bons tempos em que se organizavam festas à séria.

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A vista das janelas do castelo, para o mar é deslumbrante e num dia de céu limpo é possível avistar, do outro lado do estreito, a vizinha Suécia. Antes de partir rumo a outras paragens, recomendo um passeio pelo centro da pequena povoação. As suas ruas estreitas e casinhas baixas é muito típica e convidativas.

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O Castelo de Frederiksborg é igualmente imponente, mas num estilo mais romântico, renascentista. O castelo foi construído no século XVII pelo mais importante rei dinamarquês, Christian IV como simbolismo do seu poderio no norte da Europa. Depois de visitar Kronborg, um castelo mais rústico, é impossível não ficar deslumbrado pela beleza dos seus interiores com tetos e paredes totalmente decorados. O castelo é também conhecido pelos seus jardins barrocos a perder de vistas, ideias para um passeio. À volta do castelo, no lago, é também possível fazer um passeio de barco e ficar a conhecer por fora toda a espetacularidade da zona envolvente.

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As entradas são compradas na entrada dos castelos e são grátis para quem tiver o Copenhagen Card.

Como ir: Para Kronborg pode apanhar um comboio na Estação Central de Copenhaga que o deixa na estação de Helsingor. Fica a cerca de 40 minutos e se tiver o Copenhaga Card a viagem é grátis. Chegando à estação é só seguir junto à costa até ao castelo.

Para Hillerod, onde fica localizado o Castelo de Frederiksborg, poderá apanhar um S-train (linha A) a partir de Copenhaga ou a partir de Helsingor, se optar por visitar primeiro o Castelo do Hamlet.

GRÁTIS! 10 atrações de Copenhaga sem gastar dinheiro

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Copenhaga é dos destinos mais caros onde já passei, sobretudo quando comparável com os preços que estamos habituados neste jardim à beira mar plantado. No entanto, é possível fazer uma estadia mais ou menos económica. É só estar atento e fazer as escolhas certas.

Coisas grátis que é possível fazer.

1.As atrações portuárias como passear pelo Nyhavn e ver as cores daquele que é um dos spots mais fotografados da cidade. Ou Passear pelos canais e ver as casas flutuantes.

Nyhavn
2. Tirar uma selfie com a pequena sereia, a maior atração de Copenhaga.

Pequena Sereia
3. Subir à torre do Chistiansborg e apreciar uma magnífica vista sobre a cidade. Com 106 metro de altura é a torre mais alta da cidade.

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4. Passear pelo bairro latino, um das zonas mais antigas da cidade e visitar a Sankt Petri Kirke, a Vor Frue Kirke e a Trinitis Kirke, três igrejas que merecem especial destaque.

Sankt Petri Kirke
5. Visitar a cidade hippie de Christiana e conhecer o estilo de vida alternativo de boêmios que decidiram quebras as regras e viver em liberdade.

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6. Apanhar sol e apreciar as vistas da Paper Island, uma pequena ilha conhecida pelas galerias de arte alternativas e pelos seus espaços de Street food. Tem uma vista privilegiada para a outra margem do rio e quando está sol é o local ideal para relaxar.

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7. Passear na Strøget a maior rua pedestre da Europa.

Stroget
8. Visitar os Jardins do rei, junto ao Castelo Rosenborg.

Rosenborg
9. Ver o render da Guarda no Amalienborg. Pelas 12h, todos os dias, a Guarda Real marcham através da cidade para substituir os guardas que estão junto ao Palácio Real.

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Fonte: Lonely Planet

10. Visitar o Kastellet, uma fortaleza construída em forma de estrela em 1600 para defender a cidade. É possível circular por todas a fortaleza e conhecer ainda o moinho de vento.

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Outras dicas:

Recomendo vivamente o cartão Copenhaga. Permite a entrada em quase todas as atrações e museus da cidade e arredores, incluindo os famosos castelos de Helsingor e Hillerod, bem como em todos os transportes públicos. Tem ainda incluído um passeio de barco de uma hora pelos canais e dá descontos em alguns restaurantes. No final, feitas as contas, compensa muito.

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