Com este frio ia bem um chá quentinho

Este nosso amigo de Djerba era absolutamente espetacular. Faz chá e chichas há várias décadas e recebia-nos sempre com o mesmo sorriso caloroso e boa disposição. Um ser humano inesquecível!

Djerba, a “outra” Tunísia

aqui tinha descrito a minha primeira aventura na Tunísia que apesar de ter sido uma grande descoberta de um país e de um povo (nem sempre amigável com um dos seus “ganha pão”) não me tinha deixado com grande vontade de lá voltar…até ouvir falar de Djerba. Esta pequena ilha da Tunísia tem muito pouco que ver com a Hammamet (o nosso anterior destino).Djerba é amorosa, muito calma, com gentes calorosas e que sabem receber os turistas, ainda não perdeu o encanto histórico de uma ilha que já foi de fenícios e romanos. Assim aqui deixo o meu top 5 desta ilha berebere.

O que fazer

Atividades, animação e divertimento por aqui não faltam! Desde passeios de camelo ou cavalo, desportos radicais como jetski ou moto 4, jogos do hotel como a petanca ou bilhar, passeios aos mercados ou só relaxar num bar típico a fumar uma chicha de menta. Aqui tudo é possível. O melhor é mesmo a aventura em barco pirata à ilha dos flamingos. Senti-me uma Keira Knightley no filme Os Piratas das Caraíbas. A viagem é muito curta (cerca de 40 minutos) e flamingos nem vê-los mas a animação é garantida, a ilha é paradisíaca e a refeição deliciosa e uma excelente oportunidade para provar alguns dos pratos na gastronomia local (serviram o melhor cuscuz que já provei).

Mercados

Quer o de Houmt Souk (a capital de Djerba), quer o de Midoun (cujo melhor dia para visitar é a 6ªfeira) não desiludem relativamente às cores, cheiros, artesanato local, especiarias e outros paladares locais, contrafações e muita animação. Comprámos algumas peças de artesanato, regateamos como se não houvesse amanhã (nem os tunisinos admitiam de outra forma) e compramos algumas pechinchas das quais muito nos orgulhamos. A descobrir com os sentidos bem alerta.

Artesanato

Os tunisinos são um povo de grandes tradições e talento…produzem belos tapetes, louça, candeeiros, espelhos, gaiolas, chichas. Tudo o que fazem tem alma, cor e transborda energia. As cores, os padrões e os materiais valem a pena ver de perto, adquirir e levar para casa.

Contrafações

Nada que não tenha já visto em Hammamet ou na Turquia mas não deixa de ser impressionante. Grandes marcas de luxo ali expostas com todo o seu brilho e glamour…ou não. Umas com bom aspeto, outras nem por isso mas eles tentam vender de tudo. Todo um mundo de malas carteiras, lenços, sapatos, agendas, canetas, tshirts, camisas, pólos e tudo o mais que se possam lembrar. Algumas peças são atentados ao bom gosto mas vale a pena explorar estes tesouros.

Hotel
Um quatro estrelas muito simpático, Djerba Palace. De arquitetura típica, todo de branco e com espaço que nunca mais acabava. Posso afirmar que ficamos muito bem instalados. Tinha 3 boas piscinas, uma normal, uma de água salgada e uma com escorregas, um SPA com muito bom aspeto, boa comida, funcionários simpáticos, embora fosse complicado fazer grandes conversas caso não dominássemos o francês. O caminho para a praia era doloroso, não porque fosse extremamente extenso mas porque fazer mais do que meio metro naquele braseiro e difícil…muito difícil.

Por tudo isto, Djerba é um destino em conta, não só pela viagem e estadia, como também nas compras locais, tudo pode ser regateado e negociado e algumas coisas valem a pena.Um destino de boa comida, bom chá e boa chicha.Um destino a repetir pelas suas praias de areias brancas e finas e águas quentes. Um destino a guardar pelas gentes que tão bem nos receberam e trataram.

Já faltou mais!

Falta um mês para ir de férias e para aterrar no calorzinho de Djerba. Mal posso esperar. Já sonho com águas quentes, piscinas, comida e bebida a qualquer hora, descanso, espreguiçadeira, acordar sem despertador….tudo a que tenho direito depois de meses e meses de loucura!

Venha o descanso e venha Djerba.

Sem mãos e sem dentes

Mais uma pérola que descobri nas minhas fotos…. o Sr Iuiii. Um maravilhoso Ansião que vive num dos oásis por onde passamos na Tunísia. Este Sr maravilhoso não só sobe de uma forma incrível para a idade a esta palmeira, como ainda faz uns trapezismos de nos deixar de coração na boca. E tudo ao som de um estridente Iuiiiii. Foi das coisas mais incríveis que já vi. E faz isto para entreter os turistas em troco de umas moedas que certamente ajudam a alimentar a família. Inesquecível.

E o verão que nunca mais vem…

Tantas saudades do verão e de uma praia de areia fina e água quente.

Maiorca // Can Pastilla

Turquia – Antalya

Menorca

Tunisia – Hammamet

Viagem ao deserto

Uma das mais entusiasmantes viagens que já fiz foi o percurso ao interior árido da Tunísia, da zona turística e altamente povoada de Hammamet até Douz, cidade que assinala a entrada no Deserto do Sahara e que parece estar parada no tempo. Conforme vamos descendo percebemos a mudança gradual na paisagem, cada vez mais árida, difícil e silenciosa. Notamos também diferença no rosto e comportamento das pessoas com quem nos cruzamos, menos cínicas e calculistas, mais calorosas e fortalecidas pelas dificuldades do local.

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A primeira paragem foi em El Jem, uma pequena aldeia que guarda um dos maiores tesouros da antiguidade, o Coliseu de Thysdrus. Este coliseu é o segundo maior construído pelos romanos (a seguir ao de Roma) e um dos mais bem preservados do mundo.  Tem um comprimento de 148 metros por 122 metros de largura, uma altura de cerca de 35 metros e podia acomodar 35 mil espectadores. Foi inscrito pela UNESCO, em 1979, na lista dos locais ou monumentos que são Património da Humanidade. Ao contrário do Coliseu de Roma, aqui é possível visitar os subterrâneos onde anteriormente animais e homens aguardavam para entrar na arena. Estes túneis, além de serem impressionantes pelo drama e sofrimento que testemunharam, são  também um excelente local, leia-se fresco, de abrigo para descansar do abrasador calor tunisino (dava certamente para fazer um ovo mexido numa pedra).

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Coliseu de Thysdrus

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Seguimos viagem até à entrada do deserto, em Matmata onde tomamos contato com uma paisagem tão árida, tão selvagem que parecia que estávamos noutro planeta. Matmata é uma aldeia onde podemos visitar as tradicionais casas trogloditas escavadas na rocha. São verdadeiras obras de engenharia pela forma como são “construídas”, escavadas nas encostas da montanha, em redor de um vasto poço, que constitui o pátio da casa. Este tipo de construção permite manter, mesmo no pico das mais altas temperaturas, as temperaturas amenas no seu interior. Fomos recebidos de forma calorosa pela família troglodita que vivia nestas habitações, sentimo-nos como amigos e apresentaram-nos a casa, os seus animais, as suas tradições e deram-nos a provar os seus alimentos (chá e pão).

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Prosseguimos a viagem chegamos finalmente ao oásis de Douz, mesmo nas portas do Sahara. Em Douz fomos apresentados à ultima aventura do dia…andar de camelo, em pleno deserto ao por do Sol. Além dos nossos adoráveis amigos que amorosamente nos transportaram às costas, a experiência de sentir o deserto a palpitar, ver as dunas a dançar com o vento e assistir ao por do sol, com as suas cores, foi única. Poesia à parte, a aventura de camelo foi indescritível! Primeiro pelo cómico da situação (porque temos que nos vestir como uns verdadeiros beduínos) e depois porque subir para um camelo é das coisas mais cómicas que já fiz na vida. Verdade!! O bicho tem uma paciência para os turistas como nunca vi. O truque é fincar as pernas e agarrarmo-nos ao bicho como se a nossa vida depende-se disso e arrancar em direção ao pôr-do-sol.

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No dia seguinte o despertar foi bem cedo, pelas 4h da manhã. Hora ideal para quem seguia viagem em direção aos lagos de sal do Sahara para assistir ao ao nascer do sol. E a experiência vale muito a pena…não só pelo fenómeno dos lagos secos completamente a transbordar de sal, como, mais uma vez, pelo espectáculo das cores.

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Daqui seguimos, de 4×4 para os Oásis de montanha de Tamerza, o maior da Tunísia. A primeira imagem que guardo deste oásis é a mancha de palmeiras que se destacam no meio de uma imensidão desértica que rodeava todo o oásis  e a pequena nascente de água que alimentava todo aquele pedaço luxuriante de terra. É uma paisagem que marca, pelo impacto de saber que nada ali sobrevive por muito tempo e que aqueles homens e mulheres ali vivem (ou sobrevivem) à centenas de anos.

Nas imediações do oásis encontra-se Chebika, uma antiga aldeia  abandonada após as inundações que causaram mais de 400 mortos em toda a Tunísia. A aldeia foi reconstruída um pouco mais acima destas ruínas e ali se tem mantido, como que parada no tempo.

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Outra memória que trago de Chebika é que este oásis já esteve debaixo do mar (parece impossível certo?) mas as provas lá estavam, uma rocha com fosseis só possíveis de encontrar no mar. Como é que noutros tempos o mar cobriu esta zona inóspita do mundo é a pergunta que nos fica na cabeça. Na verdade esta é apenas uma das muitas questões que nos surgem quando percorremos este oásis cuja vida, cultura e gentes e tradições se mantém intocáveis.

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A viagem prosseguiu em direção a Hammamet, vagarosa e sonolenta, ao som do ar condicionado do autocarro e com todas as imagens de dois dias onde entramos num universo cheio de contrastes: desertos e montanhas rochosas, a cor da areia (a perder de vista) e as roupas coloridas dos povos do deserto, paisagens selvagens com pequenos oásis de calma e cheios de vida.

Seguimos agora em direção à ultima paragem, Susse, a terceira maior cidade da Tunísia, onde não infelizmente não conseguimos visitar a mesquita (era hora da oração e a hora da oração é sagrada). A medina está rodeada de grandes muros que fortificam esta parte da cidade. Deambulamos por aqui e por ali, explorando as cores, sons e alguns produtos locais com os quais nos íamos cruzando. Foi o ideal para um final de viagem.

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A Tunísia é conhecida pelas suas paisagens únicas, as águas e límpidas, as praias de areias finas, as mesquitas e as medinas, onde rapidamente aprendemos a regatear até aquilo que não nos interessa. A Tunísia é uma mistura de muitas experiências, todas diferentes, que nos conquistam e nos envolvem para sempre.