Berlim, viagem ao passado

Berlim é a capital da Alemanha reunificada (até 1990 era Bona) e resultou do maior projeto de reconstrução do pós-guerra. Berlim tem talvez das histórias mais conturbadas do século XX e convive, à conta de erros que lhe são alheios, com as cicatrizes dessa história. Andando por Berlim podemos encontrar as marcas de um passado recente que quase destruiu uma das mais importantes e grandiosas cidades alemãs.

Berlim sofreu, durante a II Guerra Mundial, inúmeros bombardeamentos, que arrasaram a grande maioria dos edifícios da cidade, como o emblemático Reichstag, a Porta de Brandenburgo e a Igreja de Kaiser Wilhelm. Os dois primeiros foram integralmente reconstruídos a igreja mantém-se até hoje parcialmente destruída, tendo sido construída uma nova igreja à volta dos destroços.

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1. Memorial do Holocausto

Um dos locais de memória é o Memorial do Holocausto que presta homenagem aos seis milhões de judeus vítimas do regime nazi. O Memorial está localizado entre a Postsdamer Platz e a Porta de Brandemburgo e consiste de uma área de 19.000 metros quadrados coberta com 2.711 blocos de cimento que simbolizam as vítimas assassinadas nos campos de concentração.

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Ali mesmo ao lado encontrava-se o Bunker onde o Hitler se refugiou no final da guerra e onde este acabou por se suicidar. O Bunker localizava-se a cinco metros de profundidade, estava protegido por mais quatro metros de concreto armado, tinha trinta salas espalhadas por dois pisos, saídas na construção principal e uma saída de emergência e estava equipado com sistema de ventilação contra gases venenosos, geradores a gasóleo e portas de aço. Foi demolido no pós-guerra.

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2. Memorial Soldados Russos

No final da guerra, os soldados russos tomaram Berlim mas não sem uma ultima e feroz resistência dos soldados alemães que ainda se mantinham na cidade. Desta batalha, que durou poucas semanas, morreram mais de 80 mil soldados. Em homenagem aos soldados russos que libertaram a cidade e que ali ficaram foi edificado um Memorial localizado na Rua 17 de Junho, perto da Porta de Brandenburgo. O Memorial é local de repouso de cerca de cinco mil soldados russos que ali foram enterrados depois da guerra.

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3.Topografia do Terror

Aqui se localizavam, entre 1933 e 1945 a principal policia secreta Nazi, o Comando das SS e a Central de Segurança do Reich. Os edifícios foram destruídos e no seu local encontramos agora diversas exposições sobre o regime nazi: as suas medidas totalitárias, as forças de opressão e supressão de liberdades, a propaganda, o estimular de um regime racista e xenófobo e o premiar da “raça” ariana e das famílias tradicionalistas. É um espaço onde ficamos com uma ideia do percurso que levou à II Guerra Mundial e a todas atrocidades cometidas pelo regime nazi e em particular pelos seus mais altos representantes e instituições.

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4. Check Point Charlie

Após a Segunda Guerra Mundial, a cidade foi dividida. O lado oriental passou a ser a capital, enquanto que o lado ocidental da cidade se tornou um enclave da Alemanha Ocidental. Cercada pelo muro, entre os anos de 1961-1989, Berlim viu-se mais uma vez envolvida numa “guerra” que não tinha pedido, mal tratada e rasgada pela ganância dos “vencedores”. Berlim estava assim no centro da Guerra Fria, onde se manteve até que em 1989, as mudanças políticas que ocorrem na Europa Oriental levaram à queda do muro e à abertura das fronteiras. Finalmente em 1990, a Alemanha reunifica-se e Berlim volta a ser a capital. Destes anos atribulados restam memórias espalhadas por toda a cidade como o Check Point Charlie, a mais famosa fronteira de Berlim cujo nome deriva do alfabeto fonético da NATO em que cada letra do Alfabeto corresponde um som (Alpha a letra A, Bravo a letra B e Charlie a letra C). O Checkpoint Charlie se tornou um símbolo da Guerra Fria, representando a separação leste e oeste.

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5. O Muro

Marcas do Muro de Berlim, a maior e mais polémica de todas as fronteiras, podem ser encontradas por toda a cidade, como uma cicatriz que queremos manter para nunca esquecer. Agora não passa de um fait diver, de uma atração para turistas mas durante décadas separou famílias, amigos e vizinhos, foi a causa de mortes de diversos berlinenses e um fator de separação de uma cidade e de um país. Com 155 metros de comprimento e 3,60 de altura, o muro dividiu a cidade de 1961 a 1989. Durante a sua existência mais de cinco mil pessoas conseguiram fugir, mais de três foram apanhadas e 152 morreram.

O melhor exemplo desta separação é a Bernauer Straße onde hoje podemos encontrar o Memorial ao Muro. Esta rua é um dos símbolos da divisão, tendo sido literalmente rasgada pelo muro com casas cortadas ao meio. Famílias, amigos, casais foram separados de forma violenta, tentado por diversos meios escapar para o outro lado (escadas, saltar de janelas, construção de túneis, etc.). Na visita ao memorial ficamos a conhecer estas e outras histórias, assim como podemos visitar o monumento que relembra e homenageia a cidade dividida e as vítimas do regime comunista.

A Capela da Reconciliação é outro local simbólico desta divisão. Após a construção do muro ficou localizada numa zona de ninguém, inacessível aos seus paroquianos e durante mais de 20 anos (1961 – 1985) foi o símbolo de uma cidade dividida. Em 1985 foi finalmente dinamitada para fazer desaparecer esta aparente e óbvia divisão. No local está uma nova capela construída que guarda algumas memórias da antiga, como os sinos e uma cruz que conseguiram escapar à destruição.

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6.Karl-Marx-Allee
Era a mais famosa avenida da Alemanha comunista. Localizada entre a Strausberger Platz e a Frankfurter Tor, está ladeada por edifícios de estilo soviético dos anos 50′. É uma avenida impressionante e que mostra de forma clara como foi a presença das forças russas nesta cidade.

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7.East Side Gallery

É um dos maiores fragmentos Muro de Berlim ainda existentes, localizada na Mühlenstraße, nas margens do Rio Spree. Preservada da demolição devido às 105 pinturas de artistas de todo o mundo, iniciadas em 1990 aqui representadas. É uma das maiores galerias ao ar livre do mundo, com mais de 1 km de extensão.

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Apesar de viver com as marcas de um passado recente Berlim não é de todo uma capital presa a este passado. Berlim é uma cidade voltada para o futuro, moderna, cosmopolita, vibrante e com ambições de ser a melhor. É orgulhosa  e por isso nos deslumbra todos os dias com a sua eficiência e grandeza, marcando presença na vida dos berlinenses e de todos que por lá passamos e que não lhe ficamos indiferentes.

Para mais estórias sobre Berlim espreite ainda:Simplesmente Berlim

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