À descoberta da capital do Grão-Ducado do Luxemburgo

Este pequeno país, que na verdade é um Grão-Ducado, tem apenas 80 km de norte a sul, pouco mais de meio milhão de pessoas e uma área de aproximadamente 2586 km².

A primeira vez que comentei que ia ao Luxemburgo alguém do grupo referiu que era apenas uma rua. Fiquei logo na dúvida se merecia visita e se, no caso de decidir ir, não ficaria desiludida. E na verdade, quando saímos da estação quase acreditei na verdade dessa afirmação, até chegar à ponte que separa a zona nova da cidade velha e olhar lá para baixo e ver o Grund varreu qualquer dúvida que Luxemburgo seria uma agradável surpresa.

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O dia estava cinzento mas ao chegarmos à La Vieille Ville (Cidade Velha), empoleirada numa escarpa sobre os rios Alzette e Pétrisse, esquecemos o tempo e passamos a dedicar a nossa total atenção a cidade. A visita começa pela Place de la Constitution com uma vista única sobre a escarpa e sobre as Casemates de Pétrusse, salas escavadas pelos espanhóis no século XVII debaixo da terra por questões de defesa militar. Seguimos para a Catedral de Notre-Dame é a principal catedral Grão-Ducado e guarda uma impressionante estátua de Madeira de nossa senhora com o menino, coroada e vestida com exuberantes túnicas.

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A Place Guillaume II é a próxima paragem. Esta é a maior praça da cidade e onde esta localizado o impressionante hotel de Ville, a câmara municipal que data do século XIX e é um antigo convento franciscano. Seguimos pela praça em direção a outra impressionante construção logo ali ao lado, o Palais Grand-Ducal, residência oficial do Grão-duque. O edifício data de 1573 e a sua localização é bastante curiosa uma vez que não fica numa sumptuosa praça ou num espaço amplo de destaque mas numa pequena praça, meio escondido, e encostado a Câmara dos Deputados.

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Deambulamos pelas ruazinhas, admirando as elegantes construções da cidade que datam dos séculos XVIII e XIX. Quase sem nos apercebermos estamos num dos pontos mais interessantes que já tive oportunidade de visitar numa cidade europeia, Chemin de la Corniche. Esta ruazinha pedonal é considerada a mais bonita varanda do mundo. Tem vista para a Cidadela do Espírito Santo, para o Montée de Clausen, a zona europeia, e para o Grund, a zona baixa da cidade.

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Abaixo ficam as Casemates du Bock. Este é o local original onde foi construído o castelo da cidade mas a características mais distintiva deste espaço são as suas galerias, escavas na rocha, com escadarias e túneis, criando uma rede fortificada onde a cidade se poderia defender. Os túneis incluem espaço de armazenamento, oficinas, cozinhas, armazéns de munição e inclusive posições para 50 canhões. Estas casamatas foram também usadas durante a II Guerra Mundial como abrigos antibomba.

Pela sua posição estratégica, a cidade do Luxemburgo foi desde o século XVI, um dos locais fortificados mais importantes do continente europeu. Reforçadas cada vez que a cidade mudava de mãos entre as diferentes e sucessivas potências dominantes na Europa as suas fortificações foram, um exemplo da evolução da arquitetura militar ao longo de vários séculos.

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Pelo Rocher du Bock é possível descer até ao Grund, o bairro localizado na parte baixa da cidade. Durante a descida parece que atravessamos o túnel do tempo e estamos numa outra época. Sugiro que se perca pelo meio do pequeno “bosque” que se desenvolve junto ao rio. A sua calma verdejante e o barulho das águas é calmante e completamente absorvente. Entramos também por uns minutos na Église St Jean-Baptiste, uma igreja do século XVII que domina a paisagem do Grund. Passeamos pelas suas com casas do século XIV surpreendentemente bem conservadas. O silêncio envolve-nos neste momento e parece que não estamos numa movimentada e cosmopolita capital europeia.

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Voltamos a subir pelo elevador, que nos traz de volta a zona alta, onde damos mais uma volta pelas ruas da cidade antes de voltarmos para a estação.

A cidade é pequena e vê-se em poucas horas mas não deixa de ser encantadora pela sua localização única que lhe dá, de diferentes ângulos, vistas arrebatadoras que nos deixam sem fôlego e quase inertes, com os pés pesados presos ao chão. Esqueçam uma cidade chata, construída numa única rua e sem qualquer interesse.

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