S. Petersburgo, a eterna capital!

São Petersburgo é a segunda maior cidade da Rússia, está localizada ao longo do rio Neva, e já usou o nome de Petrogrado e  Leningrado. Apesar de estar localizada a muitos milhares de km de Itália, é notória a sua influência na cidade, artística e arquitetónica. Reconhecida pelo cliché de que é a “Veneza do norte”, ao deambular pelas ruas percebemos porquê. Pelos canais, claro, mas também pelos inúmeros edifícios com elementos arquitetónicos da renascença, muitos deles desenhados por mãos italianas.

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O seu centro histórico e monumentos são Património Mundial da UNESCO. Talvez porque por aqui convivam, de forma harmoniosa, diferentes estilos e épocas, desde o renascimento ao período soviético, à modernidade. São Petersburgo é também o lar do Hermitage, um dos maiores, mais importantes e excecionais museus de arte do mundo, e da Igreja do Sangue Derramado, um dos poucos exemplares de Igrejas Ortodoxas da cidade, reconhecida pelas suas cores e interior sumptuoso.

Quando saímos à descoberta da cidade, percebemos rapidamente que a corrente nas ruas nos encaminha para a Nevskiy Prospekt, o coração cultural e social de S. Petersburgo. Por aqui podemos encontrar um pouco de tudo. Catedrais inspiradas na Basílica de S. Pedro, várias igrejas, palácios, os mais impressionantes cafés, lojas e Centros Comerciais. O fluxo de pessoas é enorme e qualquer paragem para uma foto deve ser cautelosamente programada, sob pena de sermos arrastados. O trânsito é intenso, a reta de cerca de 5 km é o local ideal para uma forte acelaradela, pelo que as passadeiras e passagens para peões são obrigatórias.

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Os mais emblemáticos locais de passagem são a Catedral de Nossa Sra. do Kazan, a tal inspirada na Basílica de S. Pedro e que durante o período soviético foi o Museu do Ateísmo (provocação??). De destacar ainda os Palácios de Stroganov e Beloselskiy-Belozerskiy e a Livraria Nacional, três magníficos edifícios que dão uma beleza especial a esta avenida, as Igrejas de Santa Catarina e Arménia e os Cafés Singer e Mehto localizados em esplendorosos edifícios.

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À espreita, encontramos ainda a Igreja do Sangue Derramado, uma representativa igreja ortodoxa, cheia de cores, cúpulas e elementos gráficos muitos fortes e que nos levam a não conseguir fixar o olhar em nenhum pormenor em especifico, dada a cacofonia de elementos e cores. Tudo isto dá-lhe charme e personalidade e relembra-nos que apesar de parecer que estamos numa cidade italiana,  estamos, definitivamente, na Rússia. Deixo ainda uma palavra para o seu interior, de tal forma impressionantes que qualquer descrição ficará sempre aquém da sua beleza e sumptuosidade. As paredes estão cobertas de mosaicos coloridos (mais de 7.000 m2), criando inacreditáveis obra de arte que representam coloridas figuras de santos. A igreja foi construída em 1881, em memória a Alexandre II, Czar que decretou o fim da servidão na Rússia, no local do seu assassinato.

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A principal avenida da cidade vai desembocar naquele que é o seu maior ícone, no Hermitage, ou mais especificamente na Praça do Palácio, que recebe de braços abertos aquele que é um dos mais importantes museus do mundo. O museu (será alvo de um post mais detalhado) inclui diversos edifícios, entre eles o Palácio de Inverno, o Novo e o Velho Hermitage e o Edifício do Estado-maior. Lá dentro é possível visitar exposições dedicadas à Pré-história, Antiguidades Gregas e Romanas e uma das mais vastas coleções de arte do mundo com obras de Matisse, Picasso, Gaugin, da Vinci, Rembrandt, Miguel Ângelo, entre outros. Por seu lado, o próprio Palácio de Inverno é uma exclusiva e magnifica obra de arte, o que muitas vezes torne difícil prestar atenção às obras de arte à nossa volta. As cores das salas e halls, a riqueza das decorações, os dourados nas paredes, tetos e móveis, a riqueza dos mármores, foram concebidos para nos roubar o fôlego e nos deixar completamente esmagados para tamanha beleza.

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Mesmo ao lado, passando pelo Almirantado, local onde entre 1806 e 1823 foram construídos os primeiros navios de guerra russos, encontramos a imponente Catedral de S. Isaac, com as suas imponentes 300.000 toneladas. A Catedral foi mandada construir por Pedro o Grande e é a maior da Rússia. O seu interior é de uma beleza sem comparação, incluindo 14 diferentes tipos de mármores coloridos, 40 tipos de pedras semipreciosas, frescos nos tetos e cúpula que ocupam uma área de mais de 800m2, portas de bronze decoradas com cenas bíblicas e um iconostasis coberto de dourados e ícones religiosos. É ainda possível subir à cúpula (uns míseros 211 degraus) para admirar a magnifica vista da cidade e apreciar, mais de perto, as estátuas dos Anjos que vigiam os quatros cantos da Catedral.

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No outro lado da cidade, encontramos a Fortaleza de S. Pedro e S. Paulo, datada do início da fundação de S. Petersburgo (1703). A fortaleza destaca-se no horizonte pelo enorme espigão da Catedral de S. Pedro e S. Paulo que se ergue em direção ao céu. A catedral é um dos motivos de visita à fortaleza, um espaço agradável para um passeio e onde, de verão, nasce uma pequena praia, nas margens do rio Neva.

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Por debaixo da cidade, e à semelhança de Moscovo, espalham-se em diferentes direções as mais bonitas estações de metro do mundo, construídas durante o período soviético. Os “Palácios do povo”, como eram conhecidas, incluem candelabros ornamentados, colunas em mármore, figuras esculpidas, simbologia e cenas representando imagens do regime. A linha vermelha é a que mais estações reúne que merecem uma visita, onde se destacam a Avtovo, Ploshchad Vosstaniya, Kirovsky Zavod, Baltiskaya e Narvskaya.

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Não poderia terminar sem passar pelo Teatro Mariinsky, que à semelhança do Bolshoi, é uma das mais importantes salas de opera e ballet. Quando foi inaugurado em 1860 tinha o maior palco do mundo. Os seus interiores são de nos deixar de respiração suspensa por largos minutos, em especial de olhos postos no teto, com a sua pintura de inspiração italiana com cupidos e raparigas dançantes e um candelabro de proporções impressionantes. Existem representações quase diariamente e, dependendo dos lugares, algumas são a preços acessíveis. Os bilhetes podem ser comprados online, com antecedência, por esgotam numa questão de minutos. Dentro do estilo, claro!

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Como ir e onde ficar: A viagem pode ser feita de avião ou de comboio, partindo de Moscovo. No primeiro caso, penso que só existe um voo direto da Tap por semana mas existem outras opções com escala, por exemplo através da Lufthansa. Os hotéis são mais caros que em Moscovo, fenómeno de uma cidade mais turística, mas é possível encontrar boas opções a preços acessíveis, no centro da cidade.

Deslocações na cidade: apesar de também ser uma cidade ampla pode ser perfeitamente percorrida a pé. No entanto, o metro é sempre uma opção. É barato (0.40€) e os bilhetes são uns pequenos tokens que se tiram numas máquinas logo à entrada. As estações estão escritas em cirílico e no alfabeto “normal” o que facilita a deslocação.

Entradas nos monumentos: o ideal é, sempre que possível, comprar online para evitar as filas, sobretudo para o Hermitage. De referir ainda que, dada a dimensão do museu planear antecipadamente o que ver é muito importante para não passar lá o dia todo (que pode ser uma opção). O museu tem duas app para ios e android que ajudam, uma das quais com um circuito de 1 hora. As entradas na Igreja do Sangue Derramado e Catedral de S. Isaac podem ser adquiridas à entrada. Existem diversas máquinas onde comprar os bilhetes de forma rápida e eficiente.

Outras notas: Não beber água da torneira. Optar sempre pela engarrafada. Sim, parece estranhos mas até nos guias dos hotéis vem essa indicação. Os canos da cidade são velhos, pelo que se recomenda apenas o consumo de água engarrafada.

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