Top 7 do que ver e fazer em Varsóvia

Quando chegamos a Varsóvia havia um cheiro a festa no ar. Estava, de certeza, alguma comemoração a decorrer. Por todo o lado pessoas com bandeiras e as cores da Polónia. A animação estava em todas as ruas com música e muita cor. Não podíamos ter chegado em melhor altura.

Foi só no dia seguinte, explorando a cidade que nos apercebemos que dia era. E não era um dia qualquer. Em Varsóvia comemorava-se o Dia da Insurreição da Cidade contra a ocupação Nazi, durante a II Guerra Mundial, que se assinala precisamente a 1 de agosto. É uma das datas mais importantes da sua história como viemos a descobrir depois.

Varsóvia foi deliberadamente destruída durante o ano de 1944, na II Guerra Mundial, como repressão pela resistência polaca à ocupação alemã. A capital foi reduzida a ruínas, com a intenção de obliterar séculos de tradição. Nenhuma outra cidade, em nenhum outro país afetado pela guerra chegou tal desolação. As fotos de época mostram uma cidade reduzida a pó, onde muito poucos edifícios foram poupados. A reconstrução da cidade, 85% da qual foi completamente destruída, foi o resultado da determinação dos seus habitantes.

Partimos à descoberta de Varsóvia, desvendando os locais que não podemos deixar de conhecer, começando pela Cidade Velha, por onde passa grande parte da vida da cidade.

1.Cidade Velha

A Cidade Velha data do século XIII e é a zona mais antiga da cidade. É aqui que bate o coração de Varsóvia. Quando pensamos que foi totalmente reconstruída  após a II Guerra Mundial pode surgir uma certa ideia de que é um produto para turista ver, totalmente fabricado. Não é. toda esta zona tem um charme muito clássico. As ruas estreitas confluem para a praça central, rodeada de magníficos edifícios e cujo centro é ocupada pela estátua da Sereia, símbolo da cidade. Varsóvia como o resto da Polónia é uma cidade com grande devoção católica, representada pelo vasto número de igrejas, de diferentes estilos e origens, que encontramos em cada rua. Quase todas foram destruídas pela ocupação nazi, destacam-se a Catedral de S. João, a Igreja Jesuíta e a Igreja de S. Martim.

Ainda na zona histórica é quase impossível não dar de caras com o Castelo Real, edifício que domina todo lado direito da Praça Zamkowy, onde rivaliza atenções com a Coluna de Zygmundo, outro ex-libris da cidade e mártir às mãos dos soldados alemães. Mas voltando ao Castelo, símbolo da reconstrução de Varsóvia do pós-guerra, ali podemos encontrar uma coleção de pinturas de Bernardo Bellotto, que foram fundamentais como memória do passado para a reconstrução da cidade.

2.Cidade Nova

Vagueando pelas ruas estreita, passamos pelo Barbacã e pelo que ainda resta das antigas Muralhas de cidade, em direção à Praça da Cidade Nova. Mais uma vez, por aqui tudo foi reconstruído após a Guerra: a igreja do Espírito Santo, a igreja S. Jacek, a Igreja da Visitação da Virgem Maria, a igreja de S. Kazimierz e todas as casas em redor da praça. Do topo, na companhia de Marie Curie, avistamos o rio e do outro lado o Bairro de Praga.

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3.Monumento e Museu da Insurreição de Varsóvia

Quer o monumento, quer o museu são uma homenagem da cidade aos que combateram e morreram por uma Polónia livre, procurando libertar a cidade da opressão do regime nazi.

O Monumento foi inaugurado em 1989 e as esculturas representam soldados, nas diversas frentes em que os insurgentes lutaram, a defender as barricadas e a entrar e a sair dos esgotos de onde espalhavam a batalha pelos diversos pontos da cidade. Junto ao monumento podemos encontrar uma das entradas para o esgoto usadas pelos revolucionários, assinalada para memória futura.

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O museu é muito interessante mas a exposição está algo confusa. Os pontos de destaque são, logo na entrada, a parede onde bate o coração de Varsóvia, um monumento impressionante que relembra os 63 dias de luta, e o bombardeiro Liberator B-24J (réplica), que trouxe ajuda para os insurgentes e que acabou abatido. De destacar ainda o filme 3D que mostra uma reconstituição digital da total destruição da cidade, vista através do vidro de um B-24 Liberator. É verdadeiramente impressionante a desolação que nos passa diante dos olhos.No parque da Liberdade, junto ao Museu, existe um sino que comemora a Brigada do General Antoni Chruściel, que comandou a Insurreição de Varsóvia. Todos os anos a 1 de agosto, pelas 17h00, o sino toca e todo o trânsito e as pessoas nas ruas param por 1 minuto para relembrar os insurgentes

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4.Palácio da Cultura e Ciência

Quando chegamos a Varsóvia é difícil não reparar de imediato neste gigante edifício que se vê de quase todos os pontos da cidade. É um “presente” da União Soviética para assinalar a reconstrução da cidade. Um presente, segundo dizem, do próprio Estaline. É, até hoje, o edifício mais alto de Varsóvia com 237 m desde as suas fundações até ao espigão. Tem 44 andares, abrigando 3000 quartos onde podem ser encontrados quatro teatros, um cinema, duas orquestras, dois museus, duas bibliotecas públicas e um ponto de informação de Turismo.  É um exemplo perfeito da arquitetura socialista-realista e é um símbolo do domínio soviético. Já foi alvo de várias propostas de destruição mas até à data continua a fazer sombra sobre a cidade.

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5.Rota Real

A Rota Real tem 11 quilómetros de distância, ligando a Cidade Antiga com o palácio Belvedere, no parque real de Łazienki. Foi criada ao longo dos séculos como uma avenida por onde a monarquia se passeava e onde ficavam as suas residências. Aqui se podem encontrar diversas igrejas – Igreja de Santa Ana, junto ao Castelo Real, a igreja Carmelita e a Igreja da Santa Cruz -, palácios, claro, as mais exclusivas lojas, a Universidade de Varsóvia, a maior da Polónia, o Hotel Bristol, o mais luxuoso e exclusivo da cidade, e o edifício do Parlamento. É uma Avenida agradável para um passeio ao final da tarde ou há noite depois do jantar. Tem sempre bastante animação.

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6.Jardim Saxónico

O Jardim Saxónico foi primeiro parque público da Polónia e aqui podia ser encontrado o Palácio Saski. Decalcado dos jardins franceses de Versailles, está repleto de castanheiros e estátuas barrocas (alegorias das virtudes, às ciências e aos elementos) e tem um lago ornamental e uma torre de água do século XIX sob a forma de um templo grego circular. O Palácio foi totalmente destruído durante a II Guerra Mundial e tudo o que restou foram as colunas que abrigavam o Túmulo do Soldado Desconhecido. O jardim é o local ideal para passear ao final de tarde, descansar nos seus bancos ou apenas ficar a admirar as cores vivas que por ali abundam.

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7.A Varsóvia judia

Até à II Guerra Mundial a comunidade dos judeus em Varsóvia correspondia a cerca de 30% da população total da cidade, contando, entre eles, um Prémio Nobel, diversos escritores, médicos e professores, atrizes e compositores conceituados. A eclosão da guerra marcou o fim do mundo conhecido até então para os judeus de Varsóvia. Em outubro de 1940, os alemães criaram um gueto onde encerraram 350.000 judeus. Numa viagem pela memória encontramos apenas alguns vestígios da prosperidade do pós-guerra e da sua presença como a Sinagoga Nozyk, que foi usada como armazém pelos nazis.

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Pela cidade encontramos apenas memoriais simbólicos que não deixam esquecer o sofrimento deste povo. São exemplo desses memoriais o Monumento aos Heróis da Insurreição do Gueto, erigido em 1948, quando a cidade ainda se encontrava completamente em ruínas, para simbolizar o desafio heróico que teve lugar no gueto em 1943 e que durou um mês. Em frente ao monumento é possível visitar o Museu da História dos Judeus, uma viagem por 1000 anos de presença na Polónia. Ligando este monumento ao Monumento de Umschlagplatz, local onde anteriormente os judeus eram reunidos para os encaminharem para os campos de concentração, encontramos o Trilho do Martírio e Luta dos Judeus. Este trilho é constituído por 16 blocos de granito com inscrições em polaco, hebreu e iídiche. Cada bloco é dedicado à memoria dos mais de 450.000 judeus assassinados na cidade.

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Outros locais de memória são a Rua Prozna, a única rua que sobreviveu à destruição do gueto e o fragmento da parede gueto localizado na rua de Sienna 5 (no pátio entre as ruas de Złota e Sienna, entrada da ul. Złota 62).

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Varsóvia tem uma história rica, mas muitas vezes trágica. De uma esplêndida capital século XVII à aniquilação total durante a segunda guerra mundial. Talvez por isso seja uma cidade de contrastes que, apesar de manter bem vivas as memórias recentes, é uma cidade virada para o futuro.

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