À descoberta da Bucareste da era comunista

A Roménia esteve, durante 41 anos, sob o domínio de um regime comunista, 25 dos quais sob o governo de Nicolae Ceausescu, um dos mais controversos líderes comunistas da Europa. Dominado pela megalomania, sobretudo após a visita de estado aos grandiosos regimes comunistas da Coreia do Norte e da China. O ditador veio pejado de ideias megalómanas e pouco adequadas ao pequeno país que governava. No entanto, começou a criar a um culto à sua personalidade e a impor convicções nacionalistas de tal forma radicais que alterou e marcou brutalmente uma época do país. Vamos à descoberta da Bucareste comunista?

À descoberta da Bucareste comunista

Bucareste é uma das cidades mais representativas dessa época comunista, cheia de marcos, memórias e histórias. No final dos anos 80, Bucareste era um lugar de desespero. Localizada atrás da cortina de ferro e governada por um ditador egoísta e a sua malvada esposa. Parece prosa de livro infantil, mas a verdade é que a até então “Paris do Norte”, transformou-se numa cidade triste e cinzenta, com fome e com frio.

Bucareste comunista

Nicolae Ceausescu redesenhou radicalmente o coração de Bucareste. Construio blocos de apartamentos de vários andares inspirados na arquitetura comunista. ErM densas concentrações das chamadas “casas de trabalhadores”, que contrastavam com os luxuosos prédios das elites. Grande parte da cidade foi cortada por largas avenidas de seis faixas. Esta obra, à qual se juntou a construção do Palácio do Parlamento, obrigou à demolição de mais de 10 000 casas e centenas de igrejas. O custo total foi de três mil milhões dólares (ao valor atual). Toda uma zona da cidade foi arrasada, para construir o Palácio do Parlamento e os enormes bairros comunistas que ainda hoje ali resistem.

Bucharest boulevard
Bucareste comunista

O terramoto de 1977 deu a Ceausescu a “desculpa” perfeita para “construir” a capital à sua maneira, com fundos internacionais atribuídos a sua reconstrução. Assim começou a ser arrasada a cidade e iniciou a construção do segundo maior edifício administrativo do mundo a seguir ao Pentágono (350 000 m² e 12 pisos), da Boulevard Unirii (que pretendia rivalizar com os Campos Elísios) e dos novos blocos de apartamentos.

Bucareste comunista
Parlamento Bucareste

Muitas igrejas foram arrasadas no processo. Algumas conseguiram sobreviver pela fé e superstição dos trabalhadores que se recusaram a destruí-las, acabando por dar origem ao maior processo de deslocação de edifícios alguma vez feito. As igrejas foram deslocadas para outros pontos da cidade, algumas mais de 300 metros do local onde se encontravam. Outras foram reconstruídas, noutros locais, escondidas por detrás dos grandes blocos de apartamentos, para desencorajar os romenos a prosseguir com a sua fé.

Bucareste comunista
Bucareste comunista

Outro local emblemático associado à época comunista é a Praça da Revolução, onde teve início o fim do regime de Ceausescu. Aqui se localizava o Quartel-General do Partido Comunista, através do qual, a partir da varanda, o ditador fez o seu último discurso à nação em 21 de dezembro de 1989. Foi o último discurso e a primeira vez em que foi apupado e vaiado pela massa de pessoas que assistia. O ditador acabou por fugir de helicóptero para escapar aos confrontos que, entretanto, rebentaram na praça. Apenas quatro dias depois, ele e a esposa, foram capturados e executados, no dia de Natal 1989.

Bucareste do século XXI é uma excelente cidade para se viver. Boa comida e bebida, um estilo de vida moderno euma arquitetura impressionante que rivaliza com algumas das principais capitais europeias. É também uma cidade com cicatrizes. Os enormes e decrépitos blocos comunistas estão por todo o lado. O Parlamento, o edifício que ninguém quer, continua a marcar a paisagem e a ir de forma obscena aos bolsos dos romenos que pagam os custos do “monstro” que não pediram. Mesmo assim a cidade está a ultrapassar estas marcas e a reinventar-se.

Quem ficou inspirado para partir à descoberta da Bucareste comunista?

Deixar uma resposta

Powered by WordPress.com.

Up ↑

%d bloggers like this: