Helsínquia, a cidade (mais ou menos) esquecida

Helsínquia é a capital da Finlândia, uma cidade moderna com mais de meio milhão de habitantes. A cidade está rodeada pelo mar em três lados, o que faz com que tenha quase 100 km de costa e cerca de 300 ilhas.

Partimos à descoberta de mais esta cidade do báltico, que não sendo das mais famosas merece uma visita. Chegados a Helsínquia diretamente do mar, o primeiro ponto de contato com a cidade é a Praça do Mercado. Um local cheio de vida onde são vendidos alimentos tradicionais e sazonais, bem como artesanato e souvenirs. Aqui é também um bom local para provar a comida local, em diversas barraquinhas de comida de rua que por ali encontramos. É a melhor receção que podíamos desejar.

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Na praça destacam-se os edifícios da Câmara Municipal, o Palácio Presidencial de Helsínquia e um pouco mais distante a Catedral Uspenski. A Câmara Municipal foi concluída em 1833 e serviu como Hotel Seurahuone, um importante local de hospedagem para muitas estreias culturais. A cidade comprou o edifício em 1901 e em 1913 foi renovado assumindo as suas atuais funções.

© Todos os Direitos Reservados  de Mimmo Feminò

© Todos os Direitos Reservados de Mimmo Feminò

O Palácio Presidencial foi concluído em 1820 e desde a independência da Finlândia, o edifício serviu como residência oficial do Presidente e para a realização de funções presidenciais.

A Catedral Uspenski foi concluída em 1868 e é a maior catedral ortodoxa na Europa Ocidental. O edifício de tijolos vermelhos é impressionante visto da praça e mais ainda ao perto. Combina influências orientais e ocidentais: a fachada representa tradições eslavas clássicas, enquanto o interior reflete as tradições bizantinas e a arte italiana. Com as suas cúpulas douradas e os tijolos vermelhos da fachada, a catedral é um dos mais claros símbolos da influência Russa na história finlandesa.

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Próxima paragem, Praça do Senado. À volta da praça podemos observar exemplos únicos da arquitetura neoclássica. A praça é dominada por quatro prédios grandiosos: a Catedral de Helsínquia, o Palácio do Governo, o edifício principal da Universidade e a Biblioteca Nacional da Finlândia. Os primeiros edifícios que aqui apareceram na década de 1640 foram uma igreja, o cemitério e Câmara Municipal. A cidade foi destruída durante a Grande Guerra do Norte (1713-1721) e a área ao redor da praça começou a ser reconstruída em 1721. O governo, a câmara municipal, igrejas e instituições académicas foram construídas ao redor da praça. Escavações arqueológicas revelaram mais de 130 túmulos debaixo da praça.

A Catedral de Helsínquia é um dos marcos mais conhecidos da cidade, tendo sido concluída em 1852. O Czar Nicolau I contribuiu para a aparência exterior, encomendando as estátuas dos apóstolos de zinco para o telhado a quatro escultores alemães e doando uma pintura para pendurar acima do altar. Além de servir a sua própria congregação, a Catedral alberga grandes eventos estaduais e universitários, exposições e concertos, realizados na cripta abobadada.

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A Universidade de Helsínquia foi fundada em 1640 como a Academia Real de Turku (mais tarde, a Academia Imperial de Turku), foi transferida para cidade em 1828 e em 1919 tornou-se a Universidade de Helsínquia. Os desenhos e as proporções do Palácio do Governo estão duplicados na fachada da universidade. Grande parte da antiga universidade, incluindo o salão principal e seus tesouros artísticos, foi destruída por um bombardeio aéreo em 1944. O salão principal foi posteriormente reconstruído e reaberto em 1948.

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O Palácio do Governo já abrigou o Senado Imperial, o mais alto cargo administrativo do grão-ducado, e é ainda hoje a sede do Governo finlandês. O primeiro-ministro tem seu escritório no segundo andar. Acima da entrada principal, à sombra das colunas, encontramos uma das mais belas salas de estilo Império da Finlândia, a Sala do Trono, hoje em dia Sala do Presidente, onde o Presidente ratifica leis da Finlândia.

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O bairro Tori liga as duas praças e remonta a 1700. Até aos primeiros anos da década de 1900 o Bairro era o centro do comércio e da vida social em Helsínquia. Foi revitalizado e atualmente é um centro ativo de cultura urbana na forma de inúmeros eventos, lojas de design, restaurantes e cafés.

Continuamos agora para o interior da cidade e partimos à descoberta de mais três edifícios impressionantes, a Estação Central, o Museu Ateneu de Arte e o Teatro Nacional da Finlândia. A Estação Central é um dos edifícios mais famosos na Finlândia e um marco em Helsínquia. Monumento de granito cuja entrada principal é flanqueada por impressionantes estátuas, gigantes por sinal. A estação foi inaugurada em 1919.

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O Ateneu de Arte é o museu mais popular na Finlândia e as suas coleções incluem arte finlandesa da década de 1750 até 1960 e arte ocidental da segunda metade dos anos 1800 a 1950, incluindo diversos tesouros nacionais.

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Por fim visitamos o Teatro Nacional Finlandês, fundado em 1872 na cidade de Pori. Durante os seus primeiros trinta anos de existência, funcionou como uma empresa de turismo. O teatro só adquiriu habitação permanente em 1902, quando este edifício foi construído propositadamente para o efeito.

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Outros pontos de interesse:

Igreja Temppeliaukion, construída em pedra natural foi concluída em 1969. É uma das principais atrações da cidade.

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Capela Kampi é um espaço de meditação e reflexão onde a palavra de ordem é o silêncio.

O Monumento Sibelius está localizado no parque com o mesmo nome dedicado ao famoso compositor Jean Sibelius. O monumento é constituído por um conjunto de tubos semelhantes aos dos órgãos, de aço soldado, com o busto do compositor. É uma das estátuas mais populares do Helsinki e tem 8,5 m de altura, 10,5 m de largura e 6,5 m de profundidade. Foi construído com mais de 600 tubos e pesa 24 toneladas.

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A Catedral de S. Henrique é a principal igreja católica de Helsínquia e foi construída entre 1858 e 1860. A arquitetura da igreja é neogótica, com estátuas de Santo Henrique, São Pedro e São Paulo, decorando o exterior. A Finlândia é um país predominantemente luterano, e tem a menor proporção de católicos da Europa, pelo que esta igreja é destinada principalmente a estrangeiros católicos que vivem na cidade.

Helsínquia é uma cidade que ainda está por descobrir. Talvez porque o nível de vida por lá não possibilite estadias muito prolongadas para quem viaja com os trocos contados, talvez por falta de mais e melhor divulgação. Tem uma vida própria, cores, cheiros e boa e saudável comida para oferecer.  Recomendo uma passagem por esta cidade discreta numa próxima passagem pelo báltico ou pelos países nórdicos. Será sem duvida uma boa surpresa.

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