Moscovo, uma cidade de superlativos

Moscovo reúne uma série de atributos que fazem dela uma das mais dramáticas cidades do mundo. É a maior localizada a norte do planeta terra, a segunda cidade mais populosa da Europa, atrás de Istambul, e a sexta mais populosa do mundo, tendo ultrapassado os 12 milhões de habitantes e tem, de acordo com a revista Forbes, uma das maiores comunidades de milionários do mundo (o que é bem visível nos carros de alta cilindrada e de luxo que cruzam a cidade).

Cidade de contrastes, Moscovo convive com sinais ainda muito presentes do período comunista e com os mais evidentes sinais de modernidade e do “capitalismo”, cujo melhor exemplo é a própria Praça Vermelha. No coração de Moscovo são por demais evidentes as contradições desta imensa e caótica cidade. O mais emblemático monumento Russo, a Catedral de S. Basílio, datada do período de Ivan O Terrível (século XVI), coabita com a praça das grandes paradas militares do regime comunista, que por sua vez convive com aquele que é um dos maiores e mais luxuosos centros comerciais da cidade.

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Outra contradição com que nos deparamos é a forma quase harmoniosa como as torres “Sete Irmãs”, os sete arranha-céus mandados construir por Estaline durante o processo de reconstrução do pós-guerra (1947), dividem a linha do horizonte com as torres futuristas do Business Center moscovita.

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Moscovo é uma cidade enorme, gigante. Esta imensidão nota-se no trânsito (sempre e a toda a hora, mas em especial na horas de ponta), no número de automóveis que circulam pela cidade, nas carruagens de metro sempre cheias a qualquer hora do dia, na imensidão de pessoas que circulam nas ruas. Moscovo não é uma cidade turística e não sabe como sê-lo…não existem placas em nenhuma outra língua (ou alfabeto) que não seja o russo e, na sua maioria, as pessoas não falam mais nenhuma língua. Talvez por isso o desafio de a conquistar seja o que mais nos atrai. Isso e os seus grandiosos monumentos, praças e avenidas.

Uma visita a Moscovo começa, quase certamente pela Praça Vermelha e com uma visita ao Kremlin e à Catedral de S. Basílio.

A Catedral de S. Basílio que conhecemos da televisão e dos guias de viagem fica muito aquém daquela que encontramos ao vivo. As suas paredes de tijolos vermelhos, as suas cúpulas e, sobretudo, as suas cores vivas fazem dela um dos mais grandiosos edifícios alguma vez construídos. Ao perto quase parece uma casinha de conto de fadas feita de gomas e açúcar. No seu interior, destacam-se as galerias escuras com paredes totalmente decoradas com frescos dos mais diversos padrões e cores e os iconostasis (tela decorada com ícones usada em igrejas católicas ortodoxas para separar o santuário de outras áreas da igreja), nove no total, onde podem ser admirados mais de 400 ícones religiosos. A Catedral foi mandada construir por Ivan o Terrível, em 1552, para celebrar uma vitória militar. A sua espetacular arquitectura e cores vivas quase sucumbiram por duas vezes à destruição. Primeiro por Napoleão, quando em 1812 conquistou Moscovo, mas felizmente a pólvora acabou ensopada com a chuva e a intenção caiu por terra. A segunda tentativa esteve nas mãos de Estaline, que procurou abrir espaço na Praça Vermelha para as suas paradas militares. No entanto, o arquiteto Baranovsky ameaçou cortar a sua garganta caso a demolição acontecesse. Não só conseguiu travar a destruição da catedral como conseguiu ainda cinco anos de trabalhos forçados por ter desafiado o ditador.

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Ainda na Praça Vermelha, encontramos mais três obras-primas da arquitectura, a Catedral do Kazan, reconstruída em 1993 e cujas cores vivas captam a nossa atenção, o Museu Histórico do Estado, que domina uma das laterais da praça, com os seus tijolos de cor vermelho fogo, e o GUM, que ocupa toda a zona este da Praça, um Centro Comercial do século XIX, um dos maiores deste género na Europa. Em frente, dispensando apresentações, os muros do Kremlin e o Mausoléu de Lenine.

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Por tudo isto a Praça Vermelha é de tirar o fôlego e um ponto de passagem numa visita à cidade, uma e outra e outra vez. O melhor ponto para admirar a sua imensidão, assim como as impressionantes muralhas do Kremlin é a Ponte Bolshaya Moskvoretskiy.

Da Praça Vermelha seguimos para o Kremlin, local que alberga alguns dos maiores tesouros arquitectónicos da cidade, entre palácios e catedrais. Aqui podemos visitar a Catedral da Assunção, o Arsenal, o Grande Palácio, a Catedral do Arcanjo, a Torre do Sino de Ivan o Grande, a Catedral da Anunciação, a Igreja da Deposição das Vestes, entre outros. Destaque ainda para o canhão do Czar, gigante e de respeito com as suas mais de 40 toneladas e o sino do Czar, o maior sino do mundo com 220 toneladas.

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Moscovo é muito mais do que a Praça Vermelha e tem muito mais para descobrir. Ali logo ao lado, encontramos um dos mais importantes teatros do mundo de ópera e ballet, o Teatro Bolshoi. Inaugurado em 1780 foi destruído duas vezes pelo fogo, uma das quais durante as invasões napoleónicas. A sua fachada é marcada pela estátua de Bronze de Apolo no Coche do Sol e pelo pórtico com oito maciças colunas. Aqui tiveram lugar estreias icónicas como o Lago dos Cisnes de Tchaikovsky.

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Igrejas. Existem muitas, espalhadas por toda a cidade, cada uma rivalizando com a imponente Catedral de S. Basílio. De entre todas, destacam-se a Catedral do Cristo Salvador, pela sua dimensão, podendo a sua cúpula dourada ser vista de quase todos os pontos da cidade, e a Igreja da Santíssima Trindade em Nikitniki, meia perdida no meio de uma espécie de Bairro Diplomático. A primeira é uma réplica da catedral original que data do século XIX, mandada construir pelo Czar Alexandre I para assinalar a derrota de Napoleão. Era então a maior catedral ortodoxa da Rússia. Foi mandada demolir em 1931 e novamente reconstruída, após o fim da era comunista, em 1991, tendo sido reaberta em 2000. A Igreja de Nikitniki (adoro o nome!) foi construída no século XVII e é uma verdadeira obra de arte de cores garridas e arquitectura exuberante com as suas cinco cúpulas verdes, adornadas com cinco cruzes douradas, e os seus nichos em arco conhecidos como kokoshniki (mais um nome interessante). Não é muito fácil dar com ela mas vale a pena.

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Muito mais existe para ver e descobrir mas termino com um dos pontos altos, escondido muitos metros abaixo da cidade, no subsolo. Por aqui, as estações de metro são muito mais do que paragens, onde se entra e sai dos comboios subterrâneos. São obras-primas que o regime comunista deixou na cidade, memórias vivas de uma época que marcou a história russa. As primeiras estações foram inauguradas em 1935, construídas por trabalhadores e voluntários patrióticos, que escavaram arduamente os túneis, usando apenas pás e picaretas. Mantêm até hoje os símbolos do regime soviético, as famosas estrelas vermelhas, transportando diariamente mais de nove milhões de pessoas. A orientação lá em baixo não é muito fácil uma vez que está tudo escrito em cirílico, mas com um mapa como o que aqui deixo é possível e vale muito a pena. Das mais imponentes destacam-se a Kropotkinskaya, Kievskaya, Arbatskaya, Teatralnaya, Ploshad Revolyutsii e, talvez a mais imponente, Komsomolskaya.

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Moscovo continua a ser um tabu para muitos, o que não tem qualquer justificação. A cidade não nos recebe de braços abertos mas é de tal forma grandiosa e monumental que acabamos por nos apaixonar. Moscovo merece a visita, sem dúvida!

Como ir e onde ficar:aqui expliquei como obter os vistos e seguir todos os trâmites para a viagem. Tudo o resto é relativamente tranquilo. A TAP tem voos diretos e a preços acessíveis para Moscovo e os hotéis são baratos. Nós ficamos no Kadashevskaya Hotel, a 10 minutos da Praça Vermelha, de frente para o Palácio do Kremlin.

Como se deslocar: A pé ou de metro. A pé sempre que possível porque há muito para descobrir pelas ruas: grandes palácios, igrejas e outros tesouros, mas a cidade é enorme, pelo que sempre que possível é de recorrer ao metro. O bilhete é 50 rub (menos de 0,80€) e com a ajuda de um mapa com as estações em cirílico é possível circular sem grandes problemas.

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De carro é de evitar, a menos que gostem de emoções fortes. Os táxis não são caros mas os russos conduzem como loucos…depressa demais, de forma irresponsável com razias de meter medo.

Entradas nos monumentos: as entradas são relativamente baratas e em casos como o Kremlin e o Arsenal o ideal é comprar os bilhetes online para evitar as filas.

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