As maravilhas de Chiang Mai

Chaing Mai é a segunda cidade mais importante da Tailândia e está situada na zona mais a norte do país, a cerca de  700 km de Bangkok. Foi construída em 1296 como uma cidade murada, rodeada por um fosso e não tinha mais de 1,5 km². Atualmente mantêm-se ainda quatro das portas que sobreviveram ao colapso da muralha, sendo o fosso atualmente uma zona verde com água que rodeia a zona velha.  É uma cidade rodeada de verdejantes montanhas, uma imagem bastante diferente, sobretudo para quem vem de Bangkok. Outros dois pontos que diferem Chiang Mai da capital são a sua dimensão, aqui é possível ir a pé para todo o lado porque as distâncias são relativamente curtas, e o número de pessoas, 200 mil versus os 9 milhões.

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Chiang Mai é a capital religiosa da Tailândia, o que faz dela um reservatório dos mais belos templos, alguns deles espaços de calma e tranquilidade no meio do bulício citadino. Já foi um dos maiores centros de culto para o Budismo Teravada. Dessa época, restam muitos dos templos que podemos encontrar dentro das muralhas da cidade. Com mais de 200 templos antigos é a cidade ideal para meditar e encontrar a paz interior e o caminho da iluminação.

Assim, comecei o meu caminho de descoberta por Wat Phra Sing, um dos maiores e mais imponentes templos de Chiang Mai, talvez o mais procurado pelos locais. Está localizado no interior da cidade velha, dentro da muralha antiga. É um templo próspero e particularmente bonito, todo dourado e com cores fortes e vibrantes. Os peregrinos reúnem-se aqui para venerar a famosa imagem de Buda conhecida como Phra Singh (Buda do Leão). Wat Phra Sing tem ainda um dos mais espetaculares murais que retratam cenas do modo de vida local e contos populares de folclore. Viharn Lai Kam, a principal sala de reunião, guarda uma imagem de Buda do século XV de cobre e ouro.

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Seguimos para Wat Chedi Luang, o pilar da cidade de Chiang Mai, um lugar sagrado e adorado pelo povo tailandês e onde mulheres são proibidas de entrar. Acreditam que humilha e arruína a santidade do pilar da cidade. O seu chedi maciço distingue-se no horizonte da cidade, medindo, no topo, 80 m de altura e 60 m de largura. Além da estrutura, chamam também à atenção as duas impressionantes nagas que guardam a base das escadas e as maravilhosas estátuas de elefantes que o adornam.

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Nagas são serpentes míticas, protetoras contra os maus espíritos. Por este motivo estão muitas vezes na entrada dos templos, nas escadas ou telhados. São as protetoras de Buda.


Segui para um templo mais modesto, Wat Phan Tao, construído apenas de madeira com um pequeno jardim decorado com construções de bambu. À semelhança de outros templos mais discretos de Chaing Mai, este é muitas vezes esquecido. Por isso é um local mais calmo e tranquilo, o que me permitiu desfrutar em pleno. A sala de oração é feita de madeira de teca escura e lá dentro encontra-se uma imagem do Buda em ouro, o sinal mais exuberante deste templo. O complexo foi construído quando o comércio da teca estava no seu auge e a madeira foi uma oferta a Buda.

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Ainda dentro das muralhas parti à descoberta de Wat Chiang Man, localizado junto da Porta de Chang Puak. É o templo mais antigo de Chiang Mai, construído pelo fundador da cidade, Phaya Mengrai, em 1296. Guarda a mais antiga imagem de Buda conhecida, construída pelo reino Lanna, em  1465. O mosteiro tem um chedi glorioso, com uma base de estuque flanqueada de elefantes e um nível superior dourado.

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Termino a volta dentro das muralhas com a caixa de joias de Chiang Mai, Wat Sri Suphan ou Templo de Prata. Este é o primeiro templo em prata do mundo e foi esculpido à mão por artesãos locais. No seu interior estão gravados diversos painéis com  momentos da história do Buda, do budismo e estórias da doutrina. Por fora, o efeito é, efetivamente, o de uma caixa de joias gigante. O templo também abriga uma escola de prata que assegura que a tradição é mantida. Além disso, Wat Srisuphan é um dos muitos templos em torno de Chiang Mai que oferece um programa de “conversa com os monges”.

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As “Conversas com os Monges” decorrem em alguns templos de Chiang Mai onde os leigos podem vir para conversar com um monge. Os temas podem ser os mais diversos, desde o budismo ou a vida como monge ou até os costumes ocidentais. Esta é uma forma de os monges ficarem a conhecer outras culturas, tradições e línguas.


Saindo para o exterior da cidade muralhada, encontrei Wat Lok Molee, um templo dos mais antigos de Chiang Mai e outro dos menos visitados. A entrada é guardada por dois impressionantes elefantes de pedra e o salão de oração é todo decorado com vidros coloridos que lhe dão um ar de grande sumptuosidade. Duas nagas guardam a entrada do salão de oração. Por aqui reina a calma e tranquilidade o que me permite vaguear com tempo e apreciar a beleza do local.

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Ainda fora da cidade, e um pouco mais afastado, Wat Jed Yod foi um dos templos que mais prazer me deu visitar, talvez por estar praticamente vazio. Jet Yod significa “sete picos”, referindo-se aos sete chedis que constituem o complexo do templo. Foi construído no século XV para receber o Oitavo Conselho Budista Mundial. No seu exterior podemos observar várias figuras esculpidas. Por aqui reina uma calma e tranquilidade que contrasta com a loucura e barulho da cidade.

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Termino com aquele que é o mais importante templo da cidade e, sem dúvida o mais turístico, Doi Suthep. Fica localizado no topo do Parque Nacional de Doi Pui, a mais de 1600 m de altura. Este é um dos locais de mais venerados da Tailândia e foi criado em 1383 pelo Rei Keu Naone para consagrar um pedaço de osso que se diz ser do ombro de Buda. O fragmento de osso foi trazido de Lanna por um monge errante de Sukhothai e quebrou-se em dois na base da montanha. Um dos fragmentos ficou em Wat Suan Dok e o outro foi transportado num elefante branco sagrado, representado no complexo do templo, que vagueou pela selva até morrer. Nesse local, foi depois fundado este mosteiro.

Para lá chegar é necessário “negociar” a subida com uma das muitas carrinhas vermelhas que se encontram espalhadas pela cidade e a subida ainda demora uns bons 40 minutos. Depois é ainda preciso galgar os mais de 300 degraus, guardados por duas impressionantes nagas que nos acompanham até ao topo (para quem sofre de dores nos joelhos existe um funicular que faz a subida). Lá em cima as vistas são impressionantes, não só as que dão para a cidade, mas também do próprio templo. O chedi central é todo dourado e está rodeado de quatro chapéus-de-sol também dourados. O claustro, além de diversas imagens do Buda, tem impressionantes murais que retratam cenas da sua vida.

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Parece, até agora, que Chiang Mai é só templos atrás de templos e que não existe mais nada para ver. Pois que não. Para além dos templos, a cidade é também reconhecida por ter excelentes mercados. Desde os mercados mais tradicionais até aos mercados noturnos, alguns de caráter permanente, como o Bazar Noturno que decorre na Rua Chang Khlan, a cerca de 30 minutos a pé do centro da cidade, outros que acontecem em determinados dias da semana, como o Mercado de Domingo que decorre na Rua Rachadamnoen.  São ambos gigantes, em especial o Bazar Noturno, que percorre ambos os lados da rua e ainda se estende para alguns edifícios nas ruas adjacentes. Aqui podemos encontrar de tudo, desde comida, a roupa, artesanato, souvenirs, etc. É impossível resistir ao caos que se espalha pelas ruas e nos contagia.

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Chiang Mai é, sem dúvida, um local de passagem a contemplar numa visita à Tailândia. Apesar de ser uma cidade à procura da sua modernidade, conquista-nos porque soube manter a sua identidade histórica.

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