À descoberta da planície dourada

Agora que o bom tempo está de volta nada como voltar a agendar umas escapadelas de fim de semana. Uma das minhas preferidas, sobretudo nesta época do ano, é pelo Baixo Alentejo, também conhecido pela Planície Dourada.

Na primavera os campos estão floridos, a temperatura é amena e a luz é maravilhosa, sobretudo refletida nas paredes das suas cidades históricas, caiadas de branco. Pelas ruas reina o silêncio e paz, a comida enche-nos a alma e a hora da calma respeita-se como se de uma lei se trata-se. Precisa de mais argumentos para partir à descoberta?

Começamos por Beja, onde recomendo uma visita ao seu Castelo, à Igreja de Nossa Sra dos Prazeres, ao Convento de S. Francisco e à Pousada de S. Francisco, sem esquecer a Praça da República e o Parque da Cidade.

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Descemos agora para Serpa e aqui visitamos o Castelo e passeamos nas ruas dentro das suas muralhas, visitamos o Palácio dos Condes Ficalho, passamos pelo aqueduto e pela Torre do Relógio, passamos pela Capela do Calvário, meia escondida, e terminamos na Praça da República, apenas depois da visita à Igreja do Salvador.

De saída, já a caminho do Parque Natural do Vale do Guadiana e do Pulo do Lobo subimos à Ermida de Nossa Sra da Guadalupe.

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Depois da visita ao Parque Natural e às azenhas, seguimos agora para Sul, em direção a Mértola apenas com uma paragem para visitar a Mina de São Domingos, um local com 150 anos de história. Percorremos os terrenos das antigas Minas, os bairros mineiros, o Museu e terminamos com uma visita à praia fluvial.

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Chegando a Mértola, autêntico museu da história da região, partimos à descoberta de algumas das mais bem conservadas heranças da história alentejana. Começamos pelo Convento de S. Francisco, passamos pela Torre de Menagem e pela Casa Amarela, seguimos para a Igreja Matriz, Basílica Paleocristã e Torre do Relógio. Aqui as ruas são estreitas e acidentadas mas esse é apenas um dos motivos que nos fazem adorar Mértola.

Mértola

Pelo caminho, entre uma e outra localidade, descobrimos otimos restaurantes, de comida farta, saborosa e vinho que corre solto. E por estes trilhos descobrimos um pouco do Alentejo e da sua riqueza histórica…

Como ir e onde ficar: saindo de qualquer ponto do país o carro é uma boa opção. As estradas, mesmo as secundárias, são relativamente novas e tranquilas pelo que o passeio será bastante agradável. Para dormir é possível encontrar hotéis relativamente baratos, podendo ficar situado numa das localidades e fazendo as deslocações todas a partir daí. A distância mais longa será de Beja a Mértola, com a duração de cerca de 1h.

Serpa, Cidade Branca

Serpa é uma pequena cidade no sul do Alentejo, branca, cheia de personalidade e de uma importante riqueza histórica e cultura. Já aqui tinha falado nela antes mas nunca com o destaque que merece e destacando os seus pontos de interesse.

Convido-vos a conhecer a minha “terra”, não de nascimento mas de adopção.

Castelo e as Muralhas

O Castelo e as suas muralhas são o maior ex libris desta cidade alentejana. Guardam-na, protegem-na, dão-lhe personalidade. As muralhas de origem medieval abraçam todo o centro histórico da cidade levam-nos, atravessando as duas portas ainda conservadas – Porta de Moura e Portas de Beja – diretamente para a época medieval. Deste conjunto histórico e arquitetónico sobrevivem ainda, e magnificamente preservadas, a nora e o aqueduto, duas construções imponentes que não deixam ninguém indiferente. O castelo é ainda famoso pela sua pedra caída, um “monstro” que há anos e anos recebe os seus visitantes logo na porta de entrada.

 

Palácio Ficalho

Por de trás das muralhas e muito próximo do castelo fica a casa senhorial e solar dos Condes de Ficalho, uma construção austera do século XVI.

Torre do Relógio

Seguimos agora, percorrendo as ruas estreitas de pedras irregulares e marcadas pelas casinhas pequenas e brancas, perfeitamente caiadas, para aquele que é um dos principais símbolos da cidade, a Torre do Relógio. Este é um dos pontos mais altos de Serpa, e a sua forma retangular faz lembrar uma torre de vigia.

 

Museu Etnográfico
Para conhecer um pouco melhor as origens, cultura e tradicionais alentejanas nada como passar pelo Museu Etnográfico. Está situado no edifício do antigo mercado e por aqui pode visitar as antigas artes e ofícios desta terra, redescobrindo tradições ancestrais.

 

Ermida Nossa Sra. Guadalupe, Serra S. Gens

A pé ou de carro não poderá sair de Serpa sem subir ao Monte de S. Gens para ficar a conhecer a Ermida de Nossa Sra da Guadalupe, padroeira da Cidade. A vista quer para a cidade, quer para a planície é de tirar o fôlego. O “Altinho” como é localmente conhecido e acarinhado ganha especial relevância por altura da Pascoa, quando se comemoram também as festas da padroeira. As procissões de fé culminam na Ermida e, em tempos antigos, era neste monte que no fim da procissão o povo se estendia num piquenique de homenagem e comemoração.

Fora da Cidade  

Parque Natural do Guadiana

Serpa está integrada em pleno Parque Natural, incluindo por esse motivo locais de uma enorme riqueza paisagística marcada pelo seu sinuoso rio. O Parque tem cerca de 69 mil hectares e abriga espécies raras, muitas delas ameaçadas.

Pulo do Lobo

Um local único no mundo onde vemos todo um rio desaparecer num pequeno buraco de rocha. Parece mentira mas só vendo com os nossos próprios olhos acreditamos nesta magia. Localizado a cerca de 20 km de Serpa e de acesso não muito fácil, o Pulo do Lobo é uma das mais belas e a maior queda de água a sul de Portugal. Um local de passagem obrigatória, não só pela beleza do local mas por toda a calma envolvente, que nos dá toda uma paz de espírito inesquecível.

 

Azenhas

Já aqui vos tinha falado na Rota das Azenha, um percurso por rio que nos leva a conhecer alguns dos típicos moinhos de roda movidos com água do Guadiana. Estas azenhas são memórias vivas de tempos em que o Alentejo alimentava o país através da produção de cereais. Descendo o rio ou por terra, são pontos de passagem obrigatórios por estes lados.

 

Onde Comer: Em Serpa o difícil é mesmo a escolha. Não conheço nenhum local onde se coma mal mas destaco os três abaixo por uma questão de tradição e preferência pessoal.

Molha o Bico

Um restaurante do mais típico que podemos encontrar por estes lados. Decorado com símbolos da terra e com pratos alentejanos para todos os gostos, desde as Migas com Entrecosto, aos Gaspacho, passando pelo Ensopado de Borrego entre tantos outros. Recomendo guardar um espacinho para a sobremesa porque quer a Sericaia, quer a Tarde de Requeijão merecem esse espaço.

 

O Alentejano

Situado no edifício da Antiga prisão é um espaço onde a boa comida não é deixada em mãos alheias. Aqui poderá provar pratos tipicamente alentejanos e sair com a certeza que comeu o melhor que Serpa tem para oferecer.

O Lebrinha
O Lebrinha é mais conhecido pelos seus petiscos, dos mais variado que há, mas sobretudo pela sua cerveja que segundo dizem os locais (e não só) é a melhor do mundo e “nunca morre”. Não sei qual é o truque mas a verdade é que a cerveja vem bem vivinha e fresca e talvez por esse motivo não fique no copo tempo suficiente para morrer.

Se os Castelos falassem…

São os símbolos vivos da nossa memória nacional e guardam as mais fantásticas lendas e histórias e um património valioso para o nosso turismo mas alguns tão abandonados e mal tratados. É em sua homenagem que decidi fazer este post. Existem muitos e muitos castelos espalhados de Norte a Sul do País, de Bragança e até ao Algarve, começando a viagem por aquele que está aqui mesmo ao lado, o Castelo de S. Jorge.

Castelo de S. Jorge

“Considerado o monumento mais emblemático da cidade de Lisboa, o Castelo de S. Jorge é um testemunho relevante de momentos ímpares da história de Lisboa e de Portugal.” Este é o ponto de partida que podemos encontrar no site do Castelo de S. Jorge e de não me ocorreu outra forma melhor de o descrever.  Este imponente castelo ergue-se orgulhosamente, na sua posição dominante localizada no cima de uma das mais alta colinas de Lisboa.

Durante a Reconquista Cristã as tropas armadas de D. Afonso Henriques conquistaram esta fortificação muçulmana, que capitulou após um duro cerco de três meses, deixando para trás uma lenda que chega até aos dias de hoje sobre o nobre cavaleiro Martim Moniz que se sacrificou entre as portas do Castelo para permitir a entrada vitoriosa dos seus companheiros. É um dos locais de Lisboa onde podemos desfrutar da melhor vista da cidade.

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Castelo de Monsanto

O seu aspeto militar e maciço não engana quanto à sua origem e história. É um dos mais belos castelos que já visitei, sobretudo porque se ergue no alto de um penedo com uma vista maravilhosa sobre a verdejante e selvagem paisagem do Concelho de Idanha-a-Nova. Reza a história que defensores do castelo,”presos” a sete longos anos por um cerco que pareceria não ter fim e a morrer de fome, têm uma ideia ariscada para iludir o inimigo. Alimentaram a ultima e magra vitela com o último trigo e lançaram-na por cima dos muros do castelo em direção do inimigo. Os sitiadores interpretaram este gesto como um alerta de que os defensores do castelos continuavam fartamente providos de alimento e levantaram cerco, abandonado de imediato a região.

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Castelo de Monsaraz

Monsaraz é uma vila medieval perdida no tempo e na história. Quem não visitou este espaço e sentiu que estava a regressar algumas centenas de anos atrás na história até à época das reconquistas? Monsaraz tem uma das mais grandiosas vistas do Guadiana e do recente espelho d’água criado pela da Barragem de Alqueva. Do cima das muralhas do seu castelo podemos observar como o rio corre cheio de vida e força em direção ao seu destino. Ao passear pelas suas ruas calmas e cheias de história é impossível não pensar em todas as batalhas por ali travadas e nos milhares de vidas que por ali passaram ao longos dos séculos. O castelo de Monsaraz desempenhou durante séculos o papel de posto de vigia do Guadiana, de onde se podia observar a fronteira com Castela. O Castelo foi conquistado, e parece ironia mas não é, por Geraldo Sem Pavor em meados do séc. XII. Apenas por curiosidade, o Castelo de Monsaraz é um dos melhores exemplo da arquitetura militar do princípio do séc. XIV.

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Castelo de Serpa

Outro dos meus castelos favoritos! O castelo ergue-se no centro histórico de Serpa e no interior das suas muito sofridas muralhas ainda se respira história e tradição. O Castelo de Serpa é também conhecido pela enorme pedra que se soltou de uma das muralhas e durante anos tem “guardado” a sua entrada. O castelo mantém ainda os seus quatro imponentes portões, conhecidos pela Porta da Corredoura, a Porta Nova, a Porta de Moura e Porta de Beja, o aqueduto que durante séculos abasteceu a povoação e a majestosa Torre do Relógio, a terceira torre relojoeira mais antiga do país.Um conjunto impressionante de monumentos que fazem deste, um dos mais espantosos Castelos nacionais, cheio de história, vitórias e derrotas e muitas aventuras para contar.

 

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Castelo de Óbidos

Vila conhecida pelo seu famoso Festival do Chocolate, Óbidos tem um dos mais bem conservados Castelos em Portugal. De estilo manuelino, está classificado como Monumento Nacional e tem instalada a Pousada de Óbidos. Este Castelo protege a “sua” vila por uma robusta muralha de mais de 1,5 km que até hoje registe ao tempo. Por isso não estranhe se quando por aqui passar sentir que de repente foi transportado para os tempos medievais, época em que Reis e rainhas por aqui passeavam tranquilamente.

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Existem muitos outros Castelos que merecem referência e por isso voltarei a este tema. Para já deixo-vos com um primeiro gostinho destes momentos de história que chegam aos nossos dias para nos lembrar de um tempo onde cada terra tinha que ser conquistada, mantida e defendida.

Como sobrevivemos à Rota das Azenhas

Ainda não tinha aqui partilhado esta experiência. Posso dizer que não foi fácil…o Guadiana estava no seu caudal mínimo o que em alguns momentos obrigou a muita força de braços, e alguma de anca, para o caiaque não ficar encalhado. No entanto, a experiência é maravilhosa, a paisagem de tirar o fôlego e descer os rápidos do Guadiana foi uma aventura que nunca me imaginei a fazer.

Recomendo mas numa próxima tentaremos ir com mais caudal e com uma roupa menos “insupável”. É que ir encharcada para casa, mesmo com calor, não é de todo agradável (nota mental: levar muda de roupa para trocar no fim do passeio).

 

Pontos de vista #3

A hora da calma em Serpa
A hora mais difícil do dia. A hora em que não apetece. A hora em que não se vê ninguém. A hora em que só se ouve o calor e o silêncio. A hora do descanso.

Todo o Alentejo deste Mundo!

Um dos meus sítios preferidos para relaxar e sair da rotina é a pachorrenta Cidade (sim, cidade) de Serpa, no Baixo Alentejo, a não mais de 30 kms de Beja e à mesma distância de Espanha. A calma e a tranquilidade das gentes, das casas caiadas de branco, dos jardins, das praças, dos marcos históricos que assinalam a passagem de vários povos (romanos e muçulmanos), o silêncio e o sol fazem de Serpa um refúgio que não nos deixa indiferentes. Tudo acontece de uma forma diferente, o tempo parece passar mais devagar.

Não vou lá tantas vezes como as que devia mas quando vou basta atravessar o rio Tejo e o stress fica para trás como que a dizer “Ah, vais para Serpa…então se calhar fico por aqui e não te chateio mais.”Custa a crer que houve um tempo em que ir para Serpa “era uma seca”. Nesses anos de cegueira (a famosa e difícil idade do armário) parecem pertencer a uma outra vida. Em Serpa vive-se bem, come-se bem e é-se sempre bem tratado.

Recomendo uma passagem pelo restaurante “Molhó Bico” onde tudo e mais alguma coisa é boa mas onde a sericaia tem um lugar especial no meu coração. O Alentejano (na Praça da Câmara Municipal), a antiga prisão de Serpa, também não fica atrás. O difícil mesmo é escolher. Para quem prefere um bom petisco acompanhado pela “melhor cerveja do mundo” que, diz quem sabe, “nunca morre”, então tem mesmo que passar pelo Lebrinha. Garanto que vai valer a pena.

Deixo assim algumas imagens desta quente terra alentejana só para ajudar a matar as saudades até à próxima visita.

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